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quarta-feira, 24 de março de 2010

Nova fase da crise: risco de bancarrota


O economista Kenneth Rogoff afirma que, se a história económica dos últimos 200 anos serve de padrão, há o risco desta grave crise financeira preceder uma crise da dívida soberana em países em situação de endividamento mais grave.

A evidência histórica confirma que há uma correlação muito forte entre crises bancárias e bancarrotas de países afectados, quer no caso de países ricos como emergentes.

As crises bancárias em geral precedem as crises de dívida soberana - aliás, ajudam a predizê-las, afirma o professor de Economia Kenneth Rogoff, da Universidade de Harvard, que tem trabalhado com Carmen Reinhart, da Universidade de Maryland, na história económica e financeira dos últimos 200 anos.

Num estudo recente, intitulado "From Financial Crash to Debt Crisis", publicado, na semana passada, nos artigos científicos (working papers) do National Bureau of Economic Research americano, os dois economistas recordam que entre 1800 e 2009 ocorreram 290 crises bancárias e 209 bancarrotas (defaults, na designação técnica anglo-saxónica) de dívidas soberanas em 70 países ricos, emergentes e em desenvolvimento, abrangendo África, Ásia, Europa, América Latina, América do Norte e Oceânia, que analisaram.

Uma média de uma bancarrota por ano e de quase uma e meia crises bancárias por ano. Estamos, por isso, confrontados com um padrão histórico e não com uma anomalia bizarra. "A história económica sugere que os responsáveis governamentais não deverão estar excessivamente empolgados pelo facto de não ter havido grandes incumprimentos de dívida entre 2003 e 2007, depois da vaga de defaults das duas décadas anteriores. Dado que essas vagas estão normalmente separadas por muitos anos, mesmo décadas, não há qualquer razão para supor que as bancarrotas em série estão mortas", refere Rogoff.
Quatro vagas históricas

Apesar desta média anual, as bancarrotas de países concentraram-se a partir de 1820 em quatro vagas.

Uma primeira nas décadas de 1820 a 1840; uma segunda nas décadas de 1870 a 1890, na sequência de crises financeiras graves em 1873 e 1890/1892; uma terceira nas décadas de 1930 e 1950, um período que congrega o pânico financeiro de 1929/1932, a Grande Depressão de 1930 a 1932 (uma quebra acumulada do PIB mundial de 18,7%), a 2ª Guerra Mundial e o pós-guerra de Reconstrução; e uma quarta nas décadas de 1980 e 1990, na sequência de crises financeiras regionais graves (como a crise asiática de 1997-1998) ou crises financeiras sérias em países como os EUA em 1984, a Itália em 1990, o Reino Unido, a Suécia e a Grécia em 1991, o Japão em 1992 e a Rússia e o Brasil em 1998.

Esta análise histórica é suportada num trabalho caso a caso desenvolvido por Carmen Reinhart em "This time is different Chartbook: Country histories on debt, default, and financial crisis", também, publicado, agora, pelo NBER.

Rogoff deixa no ar a hipótese de uma quinta vaga nas primeiras décadas do século XXI, na sequência da actual crise financeira global, de que os casos islandês e do Dubai teriam sido primeiros sinais.

No caso dos três países europeus com mais bancarrotas externas ao longo da história dos últimos séculos, Rogoff e Reinhart analisaram os casos espanhol, português e grego (neste caso, a partir da Independência do país em relação ao império turco-otomano). O efeito mais prolongado (quase um século), apesar de um baixo número de episódios de incumprimento ou renegociação (apenas 5) da dívida externa, deu-se na Grécia. As bancarrotas externas espanholas (o maior número, 12) ocorreram durante a dinastia filipina na concretização do seu projecto imperial mundial no século XVI e depois do período das guerras napoleónicas no séc. XIX. No caso português, houve uma bancarrota externa em 1560 na vigência da regência da viúva de João III, durante a crise do projecto imperial português, e, depois, outras quatro (1828; 1837-1841; 1850-1856; 1892-1901), no século XIX, desde o miguelismo até à crise final da monarquia (ver quadro neste link ).
Bomba ao retardador

Uma das observações que Rogoff faz sobre o risco actual de bancarrotas é que ele poderá irromper em série, subitamente, nos designados países ricos neste início do século XXI. Essa é a novidade.

O problema estrutural reside no peso da dívida externa total (pública e privada) que atingiu rácios superiores a 100% em relação à riqueza criada anualmente (Produto interno bruto, PIB) em diversos países ricos, com destaque para os europeus, com o caso extremo da Irlanda (mais de 1000%!), seguida da Islândia (mais de 900%), Reino Unido (mais de 400%), Holanda (mais de 300%), Bélgica (quase 300%) e Suíça (mais de 270%), segundo os dados comparativos fornecidos pelo CIA World Fact Book 2010, com dados relativos a 30 de Junho de 2009. Portugal vem logo a seguir, em 8º lugar (com 230%), no clube de risco dos 25 países desenvolvidos com mais elevada dívida externa total em relação ao PIB (ver quadro) .

Os dados oficiais mais recentes do Banco de Portugal, relativos ao final de Setembro de 2009, apontam, no caso português, para uma dívida externa de 367,5 mil milhões de euros, ou seja 223% em relação ao PIB estimado para 2009. O que não altera a posição no ranking referido.

A "bomba ao retardador" de que a revista Time falava há 25 anos atrás "deslocou-se" geograficamente dos países em desenvolvimento para os ricos.

Nos anos 1980, quatro países da América Latina - Argentina, Brasil, México e Venezuela - concentravam metade da dívida externa mundial. Hoje esse lugar é ocupado por três países ricos: Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha (ver quadro ).
Mudança geoestratégica

Os EUA passaram, desde 1985, a ser o principal tomador de empréstimos internacionais e apenas sete países da União Europeia - Reino Unido, Alemanha, França, Holanda, Espanha, Irlanda e Bélgica - detém hoje mais de 50% da dívida total mundial. O que correspondeu ao início de uma nova vaga de financeirização, que o economista francês Charles Goldfinger denominou de "era da geofinança".

Os quatro países latino-americanos referidos representam, agora, apenas, 1% da dívida externa (pública e privada) mundial. Rogoff refere que o rácio médio entre a dívida externa pública e o PIB de 22 países ricos mais do que duplicou entre 1980 e 2009.

O economista francês François Heisbourg, presidente do International Institute for Strategic Studies, considera esta mudança uma transformação geoestratégica decisiva na economia mundial.

No entanto, este padrão de defaults em países ricos não é uma estreia histórica. Nos países ricos, pertencentes à amostra seguida por Carmen Reinhart, no Chartbook que referimos, quase todos revelam "um historial impressionante de crises externas, particularmente entre as décadas de 1880 e 1930".

O caso grego (apesar de ter uma dívida total em percentagem do PIB inferior aos 13 primeiros e inclusive à portuguesa) despoletou-se, subitamente, em virtude da perda de confiança nas estatísticas oficiais que haviam "maquilhado" a dívida externa (que "baixou" 72% entre 2007 e 2008!), bem como o défice público pelo governo anterior de direita chefiado por Kostas Karamanlis, perda de confiança que foi aproveitada pelos especuladores para um ataque à zona euro.
Aviso da Moody's aos EUA e Reino Unido

Apesar dos holofotes estarem concentrados sobre a Grécia e os outros designados PIGS, a agência de notação Moody's, através do seu serviço Investors Service, avisou em meados deste mês que os Estados Unidos e o Reino Unido poderão estar "substancialmente" perto de perderem a sua notação triplo A (a mais elevada). A nota da agência de rating afirmava que as notações estavam "estáveis" por agora, mas que a sua distância em relação a uma despromoção (downgrade) "diminui substancialmente".

Qualquer fagulha, inesperada, sublinha Kenneth Rogoff, poderá incendiar este panorama estrutural no seio dos ricos. Com uma agravante: em caso de recaída na recessão mundial, a margem de manobra para políticas anticrise nestes países desenvolvidos será muito "mais curta" do que em 2007-2009, sublinha Philippe Trainar, economista-chefe da sociedade resseguradora SCOR e que pertenceu ao gabinete de previsão do ministério da Economia e Finanças francês.

Adaptado de artigo publicado na edição impressa de 20/03/2010

Informação de última hora:

Fitch corta rating de Portugal para «AA-»
Decisão fundamentada com elevado défice de 2009
A agência de notação financeira Fitch baixou esta quarta-feira o rating a longo prazo de Portugal de «AA» para «AA-», com perspectiva negativa.
Segundo a casa de notação, citada pela Reuters, esta decisão resulta da fraca evolução orçamental de 2009, ano em que o défice público português alcançou os 9,3% do Produto Interno Bruto (PIB).
A 9 de Março, dois analistas da casa de notação lançaram um alerta ao Governo português, deixando claro o corte do rating, caso considerassem o PEC «insuficiente» link externo.
Mesmo assim, a Fitch afastou, no mês passado, a probabilidade de Portugal entrar em incumprimento link externo no pagamento da sua dívida.
A reagir ao corte do rating está a bolsa de Lisboa, A esta hora, o principal índice já perde 2,25 por cento, para os 7.898,16 pontos, com todos os títulos no vermelho e o sector financeiro a liderar as perdas.

sábado, 6 de março de 2010

Portugal não se pode "armar em rico"


O empresário Belmiro de Azevedo defendeu hoje, em Ponta Delgada, que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) é uma "coisa muito séria", defendendo que o país "não se pode armar em rico".

"Quem não tem dinheiro, não tem vícios. Nós não nos podemos armar em país rico sendo pobres e, neste momento, somos um país pobre", afirmou o empresário nortenho em declarações aos jornalistas.

Belmiro de Azevedo, que hoje recebeu o doutoramento honoris causa pela Universidade dos Açores, salientou que "o problema é que os recursos são limitados e os políticos têm tendência para esbanjar dinheiro, gastar o dinheiro que não têm e fazer promessas que sabem que não podem cumprir".

"Eu não acredito nessa maneira de gerir um país", afirmou. O empresário considerou ainda que o Orçamento do Estado para 2010 "vai ser aprovado um bocado aos encontrões", mas frisou que "o mais importante é que seja cumprido o que for aprovado".

"O Governo desgoverna"

"As pessoas e as empresas é que têm que se governar, porque o Governo desgoverna", considerou Belmiro de Azevedo.

O empresário apresentou ainda a sua posição sobre a melhor forma de atrair investimento para os Açores, defendendo a necessidade de transporte aéreo "rápido e barato".

"Tem que se chegar aos Açores depressa e de forma barata. Não se traz turistas sem transporte regular a preço baixo e isso representa um investimento pequeno, não é preciso comprar aviões", afirmou.

Nesse sentido, salientou que a existência de voos de baixo custo (low cost) permitiria que as pessoas viajassem de "um lado para outro por pouco dinheiro".

"Para proteger um sistema monopolista, atrofia-se a economia açoriana", afirmou Belmiro de Azevedo.

sábado, 13 de junho de 2009

Portugueses deixaram de acreditar na Justiça


Concorda quando se diz que a Justiça nunca esteve tão mal desde o 25 de Abril?

A Justiça não está bem, é um facto. Mas não está tão mal como dizem. É outro facto. Há um excesso de criticismo e as coisas estão mal aqui como estão na Espanha, na França ou na Itália. E estão mal na Justiça como estão na Economia, na Saúde ou nas Finanças. A sociedade evolui muito mais rapidamente do que as leis. Hoje fazem-se contratos de milhões por telefone, a criminalidade não tem fronteiras. Como diz um autor famoso: ou as leis aceleram ou há uma revolta dos factos contra os códigos.

Juízes e procuradores já aparecem nos últimos lugares nos inquéritos de popularidade. O que não acontecia há dois ou três anos.
Não há ninguém inocente no processo da Justiça. O legislador, os juízes, os magistrados, os solicitadores ou o cidadão. Todos contribuem para que a Justiça não funcione bem.

Dizer que a culpa é de toda a gente é o mesmo que dizer que não é de ninguém.
Toda a gente tem de se esforçar. A Justiça não está adequada aos tempos que correm. Os portugueses deixaram de acreditar na Justiça.

Investiga-se mal em Portugal?
Há crimes que se investigam bem, como os homicídios ou os roubos, mas há muito mais dificuldade com os crimes económicos, porque são difíceis de investigar e não há especialização ou formação dos magistrados para investigar esse tipo de crimes. Por isso é que criei as equipas especiais. No processo Furacão estão 25 peritos das finanças pedidos por nós. E na Câmara de Lisboa estamos a trabalhar com engenheiros e arquitectos. Quem tira um curso de Direito e vai três anos para o CEJ fica com uma sólida formação jurídica mas não está especializado em urbanismo ou crimes ambientais, por exemplo. É preciso criar especializações no Ministério Público.

Não se conseguem investigar casos como o Freeport ou o Furacão com os meios actuais?
Os crimes económicos têm sido investigados. Pela primeira vez, e tenho muito orgulho nisso, todos os bancos estão a ser investigados.

Há demasiado tempo.
Sim. Já disse que sou contra os mega-processos em que se mete tudo numa panela e a sopa nunca mais está pronta. O Furacão começou há muito tempo, mas já se conseguiu dividi-lo em dez processos. Não consegui acabar com os maxi-processos mas consegui minimizá-los. Vai ver que vão andar mais depressa.

Já disse que não há ninguém que esteja impune mas a verdade é que não há um ministro ou um alto quadro de uma empresa que seja condenado
No caso BPN está a decorrer uma investigação e estamos muito longe de poder dizer que vai ou não haver condenações. O BPP está no início, não posso garantir que vai sequer haver uma acusação. Depende da prova que se obtiver. Mal de nós se só investigarmos casos em que temos a certeza de que vão terminar em condenações. Quando eu digo que não há impunidade quero dizer que todos podem ser investigados.

Alguém acredita que Oliveira Costa é o único responsável do que se passou no BPN?
Nunca houve um banqueiro preso em Portugal! Não vamos é partir do princípio que todos têm de estar presos. Até agora, os elementos que se encontraram foram estes. Se houver novos elementos, serão presos outros. Nunca a minha voz se levantou para criar quaisquer obstáculos por se tratar de um ministro, de um banqueiro ou de um autarca.

Vão ser feitas mais prisões?
Não sei, só sei que as investigações ainda está em aberto.

As absolvições com que terminam tantos casos não provam que as investigações são mal feitas?
Não. Quer dizer que não se provou o que estava na acusação. É assim em todos os países democráticos. Nunca há a certeza absoluta de que uma acusação resulte em condenação. O arguido pode confessar o crime durante a investigação, por exemplo, negá-lo em tribunal e deixar de haver prova.

Isso é uma crítica à lei?
É.

Se as confissões fora do julgamento fossem mais valorizadas não seria um incentivo à tortura?
Um Estado democrático tem de assegurar que não há tortura.

O que fez para esclarecer o caso de tortura na PJ do Algarve?
Não discuto decisões judiciais e desconheço esse processo. A tortura é uma mancha, uma vergonha para qualquer Estado democrático. Nesse caso houve um tribunal que apreciou, julgou, está julgado. O Ministério Público já recorreu, que é o único poder que tem.

Acha que tem mão no Ministério Público?
Não desisto de mudar o Ministério Público, é preciso um novo estatuto para o MP mas não o vou apresentar com eleições à porta. O que vou propor ao novo governo, seja qual for, é que tem de ficar claro que o Procurador-Geral é o vértice da estrutura e que a hierarquia deve existir na prática em todos os escalões.

Já conseguiu melhorar o MP?
É possível que não. O MP está numa fase de profunda transformação. Temos leis novas, temos de ter um estatuto novo, temos de ter uma mentalidade nova. Sabe o que é que eu pretendo? Uma aproximação do MP ao cidadão.

Surpreendeu-o negativamente a qualidade dos magistrados do MP?
Não, quem está nos tribunais há 40 anos não se surpreende.

Mas a qualidade é má?
Não é má nem é boa. É a que temos. Os magistrados do MP podem ser mais eficientes, é o que eu pretendo. E a eficiência vem da especialização, da dedicação. Se já o consegui? Não, mas não desisto.

Os juízes são os grandes responsáveis pelo estado da Justiça em Portugal?
Nunca censurei uma decisão do tribunal. O que posso fazer é mandar recorrer quando tenho esse poder. Não interfiro na vida dos juízes. Isso é com o Conselho Superior da Magistratura.

As leis penais são boas ou são más?
Há leis boas e há leis que não são boas. Este código teve um problema que foi entrar em vigor sem ninguém estar à espera. Se quer um exemplo concreto, veja as prisões preventivas. Há que ter em conta que a lei torna hoje muito mais difícil a prisão preventiva, isso é uma opção do legislador, e que é censurável.

A responsabilidade dos magistrados deve ser diferente da dos outros profissionais?
Não deve haver impunidade para ninguém, isso é ponto assente. Agora as coisas não são branco ou preto. Se cada vez que um magistrado condena alguém e depois se vem a provar que o arguido estava inocente e ele for responsabilizado, nunca mais ninguém é condenado...

É o que acontece aos médicos: se operarem alguém e depois se provar que não deviam ter operado, são responsabilizados...
É muito diferente. O mundo do Direito é o mundo da probabilidade. Os juízes devem ser responsabilizados por uma actuação dolosa ou negligente, porque se for só por um erro judiciário, que acontecem todos os dias em todo o mundo, isso não há em parte nenhuma. A propósito da impunidade, posso dizer-lhe que já ouve mais punições de magistrados nestes dois anos e meio que eu estou aqui do que nos últimos vinte anos.

O seu cargo é solitário?
O cargo de Procurador-Geral é um cargo extraordinariamente solitário.

Já pensou alguma vez demitir-se?
Não, não estou nada arrependido. Hesitei muito para aceitar, a partir desse momento não estou nada arrependido. Há uma coisa que tenho a certeza: nunca disse nada que não fosse exacto. Duvidem de tudo menos de um beirão honesto. Sou um bom magistrado, tenho 43 anos de provas dadas, nada me pesa.

Comentários:
Justificar os males da Justiça por comparação com os da economia, saúde ou finanças e dizer que estamos melhor do que a Itália ou a Espanha, em que é que resolve a nossa vida? Mais: Os problemas da descredibilização da Justiça em Portugal não se prendem com casos "emblemáticos" como o Freeport, Operação Furacão ou Casa Pia, que pouco dizem ao público em geral, mas sim com o nosso dia-a-dia em que somos assaltados com violência de manhã e encontramos o assaltante a assobiar na esquina dali a horas, mesmo quando apanhado em flagrante! É aí, sobretudo, que residem os problemas de não acreditarmos na justiça em Portugal. E ninguém disse que não acreditamos nos agentes dessa justiça, mas sim nas leis que precisam ser alteradas, apesar de o nosso Código Penal ser bastante bom. Há penas que têm que ser agravadas, as questões que se prendem com as medidas de prevenção, têm que se sobrepor às da repressão e por aí adiante. As nossas queixas não são tanto de Juízes como são das leis brandas que ainda temos, enquanto que os criminosos são cada vez mais e os crimes agravam-se em violência. As leis têm que ser, por isso, adaptadas às necessidades dos nossos dias. E isso não acontece porque os deputados preferem falar das finanças dos partidos, por exemplo, entre outras boiadas que falam na AR...
(...)
Há milhares de famílias a passar mal e até mesmo fome devido à justiça não funcionar.
Hoje temos menos consumismo devido a este grande crime bancário! Temos um exemplo na banca (MILLENNIUM BCP): Vigarices,trapaças,aldrabices, coacção sobre clientes que, para obterem crédito, tiveram que comprar acções do banco, com obrigatoriedade de as manterem por 10 anos, que depois desvalorizaram para menos de metade,etc.,etc.... Isto tudo foram crimes que continuam na "gaveta"!...Como se uma pessoa que precisa de crédito para comprar ou construir casa tivesse que ter disponibilidade para comprar as acções que, por via da BOA E COMPETENTE GESTÃO, iriam dar o trambolhão que deram. Resultado: não só estão a perder muito dinheiro com as acções ficando ainda mais endividados, como os juros subiram como subiram e o endividamento aumentou para valores astronómicos e incomportáveis. O que aconteceria a um cidadão comum que numa qualquer pequena ou média empresa cometesse actos semelhantes na gestão da mesma? Seria condecorado, louvado indemnizado para sair, ou seria preso? Teria que repor do bolso ou a empresa teria que pagar aos prejudicados? Tribunais e fisco não desarmavam! O que está a acontecer aos gestores do BCP, sabemos nós , e o que não irá acontecer também sabemos. Este é mais um retrato do país governado pela ilustre geração que andou de punho fechado em 1968 e em 1974, só que se, por acaso, tiverem alguma foto que o comprove, essa foto estará muito bem escondida.

sábado, 6 de junho de 2009

Advogado do escritório de Júdice constituído arguido



Um elemento do escritório de advogados PLMJ foi constituído arguido no processo que motivou as buscas em curso na sede daquela sociedade. A decisão do Ministério Público é considerada "intolerável" pelos responsáveis do escritório.
"A apreensão de correspondência num escritório de advogados só é possível com a prévia constituição de um advogado como arguido. Por essa razão, puramente instrumental, um advogado desta sociedade foi constituído arguido para assim viabilizar a eventual apreensão de correspondência", refere um comunicado da PLMJ.
No mesmo documento, o escritório de José Miguel Júdice considera "intolerável" a constituição do advogado como arguido, refere que a mesma assenta "numa interpretação abusiva da lei" e reitera a confiança no advogado, a quem "não foi imputado qualquer juízo de valor ou suspeição".
O Bastonário da Ordem dos Advogados subscreve o comunicado da PLMJ. Marinho Pinto reitera ser "intolerável que um advogado seja constituído arguido, para permitir buscas. Se cometeu algum crime deve ser investigado, caso contrário é inaceitável o que está acontecer".
Carlos Pinto de Abreu, presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, que aprovou previamente o teor das declarações emitidas esta tarde pela PLMJ, disse ao Expresso que as mesmas foram autorizadas. E lembrou que, de acordo com o novo Código Processo Penal, a constituição de arguido pressupõe a existência de uma suspeita fundada da prática de um crime.
Fonte da Polícia Judiciária disse ao Expresso que "a ter sido constituido arguido um advogado do escritório da PLMJ terá sido por resistência à colaboração" no processo das buscas, e "não por força dos factos em investigação".
PGR confirma buscas
Há minutos, a Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou que as buscas decorrem dos inquéritos criminais relativos à gestão da anterior administração do BPP.
"Neste mesmo contexto processual, foram já adoptadas, com urgência, as medidas consideradas, nesta fase, adequadas e proporcionais a garantir a integridade patrimonial e a prevenir potenciais dissipações de património pelos presumíveis autores dos ilícitos criminais em investigação", refere um comunicado da PGR.
Entretanto, fonte oficial do Banco Privado Português, contactado pelo Expresso, a propósito das buscas de hoje ao banco fundado por João Rendeiro, afirmou tratar-se apenas de pedidos de esclarecimentos adicionais.
"Na sequência das buscas anteriores, a Policia Judiciária esteve hoje na sede a pedir esclarecimentos adicionais", esclareceu. A PJ questionou quadros do banco e entrou na sede do BPP de manhã.

Comentários:

Não basta parecer sério...

dedalo11, 3 pontos (Bem Escrito)
Adivinhava-se que isto iria acontecer! Ainda existem muitos(as) senhores(as) neste País que se crêem intocáveis. De qualquer forma é bom sermos cuidadosos porque todos sabemos que um arguido não é, necessariamente, um culpado! Pode ser mais um fio da meada. Depois deste acto "heróico", vamos lá a ver se a investigação prossegue e é feita de tal forma que: 1. Se concretize em factos e provas concluentes; 2. Que não demore o mesmo tempo que as obras de Santa Engrácia ao ponto de prescrever; 3. Que não se fechem todos em "copas" e a gente comece a receber informações especulativas pelas televisões e jornais. É que isto de entrar pela casa dentro de alguém, forçando a porta, e depois dar em nada já se tornou um hábito e não tem piada nenhuma. mas hoje, faço um pacto comigo mesmo de confiar na investigação e na justiça portuguesas. E fico à espera.
PS - A fórmula encontrada para a obtenção dos documentos parece, à primeira vista, pouco ortodoxa, no entanto se a Lei a permite, e se ao fim e ao cabo houver caso, então que bem feito que foi! Se der bronca, pois será apenas mais uma...

Não sei.....

doctorcj, 1 ponto
Coincidência?? O Ministro Teixeira dos Santos foi "barrado" ontem por alguns clientes do BPP. Entre muitas coisas que disse prometeu para breve uma posição governativa. Curioso que o circo BPP já dura há algum tempo e hoje, após aquele "qui-pro-quo" vespertino, a PJ desatou a fazer buscas no...BPP e na Sociedade de Advogados ainda com os resquícios da "boca" do bastonário sobre "certas" sociedades de advogados a pairar por aí. Pode ser coincidência ou argumento para o CSI

Bater palmas

userEX164962, 1 ponto
Viva a nossa democracia, de um povo estúpido. Senão vejamos. Nas últimas semanas, o caso Freeport entrou em banho-maria. O caso BPN, que afecta e compromete políticos dos dois maiores partidos, foi silenciado. O BPP, surgiu em grande força e foi atacado pela Polícia Judiciária, que depende da classe política. Amanhã, povo sado-masoquista, vamos votar no centrão e ainda bater palmas.

sábado, 16 de maio de 2009

Empresários falidos procuram ajuda na Igreja Católica


Cerca de 18 mil micro empresas encerraram desde Janeiro, deixando no desemprego trabalhadores e donos do negócio. Depois de lhes penhorarem os bens e sem direito a subsídios, muitos empresários procuram salvação nas paróquias.


Em Portugal, existem cerca 160 mil micro empresas. De acordo com o presidente da Associação Nacional de Pequenas e Médias Empresas (ANPME), Fernando Augusto Morais, "há micro empresários a falir todos os dias".
Desde o início do ano, "cerca de 18 mil já encerraram o seu negócio", disse à Agência Lusa o presidente da associação, onde funcionam os gabinetes jurídico e estatístico que fazem a recolha e tratamento destes dados.
Só nos primeiros 13 dias deste mês, "90 empresas fecharam as suas portas", exemplifica o responsável, lembrando que desde o início da crise, em Setembro de 2007, até 31 de Dezembro de 2008, "encerraram 40 mil empresas" de pequena dimensão. Para Fernando Augusto, "a situação é crescente".

Lusa
11:40 Sexta-feira, 15 de Mai de 2009
Muitas destas empresas pertencem a "jovens licenciados que terminaram os cursos e não encontraram emprego no mercado de trabalho", mas também existem muitas outras que estão ligadas principalmente à construção civil, explicou.
O presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Armindo Monteiro, confirma este cenário: "Têm estado a fechar empresas que até agora sobreviviam a tudo e a todas as circunstâncias".
Estes encerramentos "criam constrangimentos à sua volta", alerta por seu turno Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, instituição que nos últimos tempos tem recebido pedidos de ajuda de empresários "de todo o país".
"Muitos dos que nos procuram fazem parte da classe média baixa, mas também já há muitos da chamada classe média alta, com outro tipo de projectos que faliram", explica.
Para o presidente da Cáritas, este fenómeno "representa taxas de desemprego altamente preocupantes".
A Cáritas Portuguesa é uma instituição oficial da Conferência Episcopal para a promoção e dinamização da acção social da Igreja Católica.
De acordo com dados divulgados à Lusa pela Associação Industrial Portuguesa, as micro empresas empregam 28 por cento dos trabalhadores, mais 3% do que as grandes empresas.
"É um drama. Neste tipo de empresas há relações familiares ou de quase família. Têm apenas três ou quatro postos de trabalho e por isso criam-se relações muito estreitas que se vão construindo ao longo dos anos", lembra o presidente da ANJE.
Nestes casos, tentar salvar a empresa "é sinónimo de salvar a família". "São projectos de vida que estão em causa" e muitos proprietários acabam por investir o seu património pessoal.
"O empresário tem sempre a tentação de ir até ao limite, dando o património pessoal como garantia da empresa", explica à Lusa Armindo Monteiro, lembrando que quando as coisas correm mal os empresários nem têm direito a subsídio de desemprego: "Têm de pagar as dívidas e não têm nenhuma forma de rendimentos.É muito injusto".
"Alguns, além de não receberem subsídio de desemprego, ainda correm riscos de penhoras, porque na tentativa de fazer sobreviver as suas pequenas empresas deixaram de pagar ao Fisco e à Segurança Social", acrescenta o presidente da Cáritas Portuguesa.
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou esta semana a criação da linha de crédito PME Investe 4, num valor global de 400 milhões de euros, 200 milhões dos quais destinados a apoiar as micro e pequenas empresas.
De acordo com números avançados pelo executivo, as PME Investe 1, 2 e 3 já foram utilizadas em 86 por cento, representando mais de 27 mil empresas apoiadas, num valor global aproximado de 2,9 mil milhões de euros.
Em declarações à Lusa, o vice-presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Paulo Nunes Almeida, lembrou que "a grande maioria destas empresas são micro ou pequenas".
"Estes apoios são muito importantes", mas "é a conjuntura económica que vai permitir às empresas ter negócios" para sobreviver, concluiu Paulo Nunes Almeida.

sábado, 4 de abril de 2009

Jorge Coelho demarca-se de ligações ao grupo BPN


O presidente da comissão executiva da Mota-Engil, Jorge Coelho enviou hoje à comissão de inquérito parlamentar ao caso BPN uma declaração emitida pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN) onde esclarece que o seu nome não está associado a nenhuma empresa da SLN nem das suas participadas
Esta declaração surge no âmbito de informações que circularam na comissão onde se referia a sua participação societária em empresas do mesmo grupo.
O gestor socialista enviou, por isso, uma carta à comissão de inquérito parlamentar em que consta informação que solicitou à SLN: "Nos registos da SLN SGPS, SA ou de qualquer das suas participadas ou referenciada como com ela tendo tido relações, nomeadamente a Expodomus - Imobiliária, não consta o nome de V. Exa. como sócio ou qualquer outro título".
A carta é assinada pelo actual presidente do conselho de administração da SLN, Fernando Lima.
Jorge Coelho afirma ser "falso" ter quaisquer interesses em empresas do grupo BPN, como sócio ou qualquer outro título. O objectivo foi tentar pôr fim a rumores sobre a existência de ligações.
No documento enviado à presidente da comissão parlamentar, Maria de Bélem Roseira a que o Expresso teve acesso, e que acompanha esta declaração da SLN, Jorge Coelho refere que dado ter sido informado que haveria informações de que teria alguma participação societária em empresas do grupo SLN, junta esclarecimento para conhecimento dos deputados.
Ainda assim o presidente da Mota-Engil afirma que "como é óbvio estarei à disposição da Comissão ou de qualquer senhor deputado que entenda colher mais informações sobre esta matéria".
Jorge Coelho era um dos nomes que constava da lista inicial de audições, mas acabou por saltar da lista devido á necessidade de emagrecer o número de pessoas a ouvir nesta fase de inquérito. Por isso, o PCP, prescindiu da sua audição, assim como de mais alguns nomes.

Comentários:
A culpa não pode morrer solteira
makiavel, 4 pontos (Interessante), 19:40 | Quinta-feira, 2
Lembra-se?
A grande frase com que fugiu a um gravíssimo incidente e deu ao país um enorme exemplo de "coragem" e "contem comigo"?
Nesse dia, a sua credibilidade acabou.
Caiu como a ponte de Entre-os-rios e foi levada pela corrente.
Resolveu o seu problema demitindo-se.
Mas essa é a solução dos cobardes.
Os estadistas ficam, dão a face e resolvem o que houver para resolver.
Agora pretende mostrar que integridade?
Acha que alguém lhe dá crédito?
Alguém ouve quem foge?
Como sempre...demarca-se.
Ou seja, foge.
E a culpa, solteira morre.

ilumimado, 3 pontos (Divertido), 20:27 | Quinta-feira, 2
Se houver nuvens negras e ventos do norte, vai chover brevemente . O presidente da comissão executiva da Mota-Engil, Jorge Coelho, é um homem sério (não se ri).

Porreiro , pá!
doctorcj, 2 pontos (Bem Escrito), 23:08 | Quinta-feira, 2
Meu caro Jorge devo "dezer" que estou impressionado pela tua "seriedade", pá. Não te ris e isso é um bom princípio para atestar o teu perfil, por ora mais direitinho que há uns anitos atrás em que estavas mais gordito. A gente sabe que não tens ligações com essa gangada do BPN e o que o teu nome surgiu por uma questão atrapalhada (?), confusão, de equívoco, qualquer coisa no género. Agora que andas pela Mota Engil não te podes dar à confiança dessas coisas, ora essa senão como é que podias ganhar mais uns concursozitos públicos, melhor uns ajustes directos? A malta desculpa essas diatribes até porque se lembra que quando a ponte caiu tu foste "arrastado", embora caindo de pé, muito pessoal desesperava ver-te rio abaixo ficando tu pelo rio acima. também não precisas ter anéis para simbolizar que estiveste de namoro com o BPN até porque há muito tipo que dá umas facadas no matrimónio e não está "ligado" com a amásia, apenas SPAC (salto para a cueca segundo Miguel Esteves Cardoso), como pode ser o caso. Para não haver confusões o Loureiro não te convidou para o casório. embora no caso vertente o gajo andasse a sofrer de amnésia. Fica tranquilo, a malta acredita em ti e vai interceder junto dos palermoides, que dizem ser nossos representantes ali para S.Bento, para não te chatearem até porque andas muito ocupado a pensar como vais "limpar" Alcochete e o TGV. Saudades da Rosa.....

Inocente ou culpado ?
zeddd, 1 ponto , 18:40 | Quinta-feira, 2
Parece que não importa, o que se ouve falar , é que entre Dias Loureiro e Jorge Coelho, existe relação.Serão inocentes? Será que ganharam o euromilhões, tipo o major.Acabem-se com os partidos, vote-se em pessoas.Veja-se o que eles tem quando entram e quando saiem.Quem são os politicos por vocação,para onde vão, terão mais experiencia, que profissionais do sector com bastantes mais anos, ou terão contactos (o que significa ter contactos?)

Jorge Coelho
ANO1933, 1 ponto , 18:55 | Quinta-feira, 2
Como ponto prévio, desde já quero afirmar que não tenho qualquer ligação com o PS.
Já, por diversas vezes, reafirmei a minha filiação política, pelo que me dispenso de a repetir.
Jorge Coelho, foi um político, que sempre admirei pela sua verticalidade e de "pensar pela sua cabeça"
Tenho presente os debates que ele teve na Sic-Notícias, no programa "quadratura do Círculo", em que ele muitas as vezes manifestou o seu desacordo com decisões tomadas pelo PS.
Para mim, foi um POLÍTICO COM LETRA MAIÚSCULA!
Afastou-se, como muitos outros, e FOI PENA !
Veja-se o caso presente da constituíção da A. R.!
Uma boa parte dos deputados, estão lá para marcar presença e receber o seu ordenado!

DESCARAMENTO!!!...
daybyday, 1 ponto , ontem às 1:57
Como pode ter tanta sorte ?
como pode ter sido um dos escolhidos para sair da lista de inquiridos da assembleia ?
Coincidência a mais.

Quando é que vai contar sobre o seu envolvimento com o Dias Loureiro, o Eduardo Rodrigues da Obriverca, os Presidentes de Câmara e as negociatas com todos na quinta do Eduardo Rodrigues em Bocelas ?
Jorginho, conta-nos quantos hectares de terreno já tinhas comprado na OTA, e agora em Alcochete?
Conta-nos sobre a empresa que o Almeida Santos e tu tinham, mas que não constavam. Chama-se "testa de ferro " ?
Saiu da política por doença ?
Será ?
Ou seria para deixar de ser controlado, e passar despercebido ?
Conta-nos a verdade. Por favor !!!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Dias Loureiro mentiu à Comissão de Inquérito


Expresso revela contrato negociado com veículo de investimento que ex-ministro negou conhecer no Parlamento.
O ex-ministro e conselheiro de Estado disse à Comissão de Inquérito ao caso BPN que nem sequer sabia que existia o Excellence Assets Fund - um veículo fundamental para uma compra ruinosa (prejuízo 38 milhões de dólares) de duas empresas tecnológicas em Porto Rico.
Porém, documentos revelados pelo Expresso demonstram que Dias Loureiro assinou dois contratos onde esse fundo é parte. Ou seja, além de ter participado em todo o negócio, como já divulgáramos na semana anterior, o ex-administrador da SLN não disse a verdade ao Parlamento, o que é considerado grave, uma vez que as Comissões de Inquérito funcionam com a mesma dignidade que os inquéritos da Justiça.
Confrontado pelo Expresso, Loureiro mantém que não mentiu quando disse desconhecer o Excellence. "Disse aquilo de que me lembro", afirmou.

Assinou e esqueceu
"Nunca ouvi falar nesse fundo". Foi com esta clareza que Manuel Dias Loureiro respondeu aos deputados que o questionaram sobre o Excellence Assets Fund na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banco Português de Negócios (BPN). "E tem ideia de o BPN ou a Sociedade Lusa de Negócios (SLN) alguma vez terem adquirido este fundo?" - perguntaram então os deputados. "Não, não tenho", voltou a responder o ex-administrador da SLN.
Foi assim que Dias Loureiro abordou o tema do Excellence Assets Fund na Comissão. Mas os factos são outros. O Excellence é parte decisiva nos dois documentos fundamentais do negócio. E os dois têm a assinatura do actual Conselheiro de Estado (a que o Expresso teve acesso). No início do negócio foi neste fundo que ficou estacionada a participação do BPN em Porto Rico e o fundo voltou a ser parte no contrato que encerrou o negócio em 2002.
O contrato de promessa de compra de 2626 acções do Excellence (com sede nas Ilhas Caimão) por parte da SLN, foi assinado por Dias Loureiro e Oliveira Costa em 30 de Novembro de 2001. O encerramento foi assinado em 22 de Julho de 2002, deixando um prejuízo de 38 milhões de dólares no grupo BPN.
Dias Loureiro na comissão de inquérito: há contradições entre os depoimentos e os documentos recolhidos
Dias Loureiro na comissão de inquérito: há contradições entre os depoimentos e os documentos recolhidos
Dias Loureiro afirmou também na comissão não ter sido ele a realizar o negócio e fez questão de sublinhar que era uma equipa de advogados que tinha essa incumbência. O ex-ministro afirmou ter apenas "avaliado o negócio" e esclareceu: "Quanto ao negócio em si, não tive nada a ver com ele, não fiz pagamentos, não sei como são os pagamentos. São coisas diferentes".
Porém, o objectivo do contrato de promessa de compra e venda de 30 de Novembro eram precisamente as acções do Excellence Assets Funds.

Num momento posterior, e dada a necessidade de desvinculação do negócio de compra da Biometrics e da Nova Tech (as duas tecnológicas-fantasma) por ser necessário injectar mais dinheiro do que o inicialmente previsto (já ascendia a 71 milhões de euros) -, Dias Loureiro foi mesmo o único a assinar o contrato, em representação da SLN Novas Tecnologias.
Confrontado pelo Expresso com o facto de ter afirmado desconhecer o fundo, nem se recordar de ter assinado contratos, Dias Loureiro, afirma que "não tenho memória de ouvir falar em nenhum Excellence Assets Fund". E mais uma vez afirma: "Toda a operação definitiva não fui eu que tratei. Estive envolvido na fase inicial. Quem terá depois tratado da compra foi Jorge Vieira Jordão, o mesmo que já havia dito à comissão".
No dia 31 de Novembro de 2001, Manuel Dias Loureiro assinou com Oliveira Costa o contrato de promessa de compra de 2262 acções do Excellence Assets Fund, onde o negócio de Porto Rico ficou parqueado. No dia 22 de Julho de 2002 Dias Loureiro assina sozinho com o Excellence o fim do negócio
No dia 31 de Novembro de 2001, Manuel Dias Loureiro assinou com Oliveira Costa o contrato de promessa de compra de 2262 acções do Excellence Assets Fund, onde o negócio de Porto Rico ficou parqueado.
No dia 22 de Julho de 2002 Dias Loureiro assina sozinho com o Excellence o fim do negócio
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Dias Loureiro sublinha ainda ao Expresso: "Não me lembro dos contratos, posso ter assinado, se vocês o dizem, mas não tenho memória. Foram dois actos isolados. Não tenho arquivo nenhum. Sei que assinei o memorando de entendimento no início do contrato e mais nada".
Questionado se face à documentação sente alguma necessidade de ir prestar novos esclarecimentos ao Parlamento diz que não. "Não lhes menti em nada. Falei da estrutura do negócio e expliquei tudo. Nunca menti na comissão, disse aquilo de que me lembro".
Quanto a manter-se como conselheiro de Estado, está de consciência tranquila. "Não cometi nenhuma ilegalidade. Esse é o meu sentimento profundo. Acreditava em quem me dizia que as coisas eram feitas daquela maneira". E refere: "Se me recordasse do tal fundo acha que ia perguntar a Oliveira Costa onde estava a participação das empresas de Porto Rico? Não tinha noção onde estavam".
Para os deputados tudo isto começa a parecer uma história mal contada. Nuno Melo, do CDS-PP, afirma que, "a ser verdade o que o Expresso publica, isso contradiz o que Dias Loureiro assegurou à comissão". Hugo Velosa, do PSD, admite voltar a chamar alguns responsáveis, mas não ainda "nesta fase". Há contradições fundamentais. O próprio Dias Loureiro terá dito coisas que os documentos a que entretanto tivemos acesso (já depois de ser ouvido) desdizem".
Já Ricardo Rodrigues, deputado do PS, afirma: "Tenho a convicção de que há pessoas que mentiram. Há contradições flagrantes em vários depoimentos, entre os quais o de Dias Loureiro". E deixa um aviso: "levo muito a sério o sentido das pessoas que faltam à verdade. Se o fizerem devem ser chamadas à responsabilidade". O deputado do Bloco de Esquerda João Semedo anuncia que vai pedir uma nova audição de Dias Loureiro, porque "as contradições recaem no facto de Dias Loureiro não se limitar a ser um estratego do negócio. Interveio no financiamento das operações em Porto Rico, diz não saber do fundo".
Segundo Honório Novo, do PCP, "há muitas contradições entre os testemunhos das várias audições". Não quis, para já, valorizar o depoimento de ninguém, embora admita voltar a chamar alguns responsáveis.

OBS:
O que disse Dias Loureiro
"Nunca ouvi falar nesse Fundo (Excellence Assets Fund)"
"Não fui fazer o negócio. Quem estava a trabalhar o negócio não era eu, eram advogados (...). Quanto ao negócio em si, não tive nada que ver com ele..."
"Houve algumas actas que assinei, aquelas que houve, como é evidente. Aliás, garanto-lhe que não devem haver meia dúzia de actas assinadas por mim, na minha ideia. Estamos a falar de um período de cinco anos"

Manuel Dias Loureiro, na Comissão Parlamentar de inquérito, 27 de Janeiro


Os factos
Dias Loureiro assinou o contrato promessa de compra de 2262 acções do Excellence Assets Fund à sociedade La Granjilla Corporation, sediada no Panamá. Dias Loureiro e José Oliveira Costa representaram a Sociedade Lusa de Negócios - 31 de Novenbro de 2001

Dias Loureiro não só assina o memorando de entendimento da compra das empresas em Porto Rico (Biometrics e Novatech), como disse ao Expresso na passada semana, mas igualmente o contrato de desvinculação desta compra, onde é referido o Excellence Assets Fund e uma offshore, a Newtech Strategic Holding - 22 de Julho de 2002

Administrador diz que BPN é caso de polícia
Comissão quer levantamento de sigilo para melhor apuramento da verdade. Ex-gestor do BPN admite ter dado informações incompletas ao Banco de Portugal
São cerca de 30 os documentos que a Comissão Parlamentar de Inquérito pediu e não recebeu porque o Banco de Portugal e o BPN alegaram sigilo profissional ou bancário.
Os deputados avançaram com o pedido de levantamento do segredo para o Tribunal da Relação, mas nada está garantido. Apesar de a maioria dos pedidos ser aceite (entre 80 e 90%). o facto de não ser solicitado por autoridades é um senão. Para a Comissão, o levantamento do sigilo iria esclarecer muitas questões contraditórias que têm surgido. A documentação de peças como a troca de correspondência entre o Banco de Portugal (BdP) e os auditores, o Banco Insular, os relatórios de auditoria e listagem de várias operações seriam decisivos para o apuramento da verdade.
Esta semana os trabalhos ficaram marcados pelas audições de Rui Pedras, ex-gestor de Miguel Cadilhe e actual administrador do BPN. Pedras admitiu que o plano de Cadilhe dificilmente teria vingado. Disse mesmo que o BPN "é um caso de polícia" e uma "megafraude". No mesmo dia, terça-feira, Emanuel Peixoto, subdirector de operações, afirmou que as operações do Banco Insular (BI) ainda estão disponíveis para consulta. Já José Vaz Mascarenhas, presidente do BI, revelou, para quem tinha dúvidas, que o Insular sempre foi da SLN e refutou o buraco de €585 milhões imputado ao banco. Acrescentou que o BI era "uma caixa de correio do BPN", já que o BPN decidia e montava as operações de crédito no BI. Periquito Costa, um homem contratado por Cadilhe para detectar as offshores escondidas na SLN, encontrou 94, e revelou que estas serviam para financiar prejuízos como créditos em mora ou incobráveis.
António Franco, ex-director de operações e ex-administrador, admitiu ter colaborado na prestação de informações não-verdadeiras às autoridades, porque não lhe faziam as perguntas certas, referindo que o BdP "podia ter intervindo muito mais cedo". Estas afirmações provocaram uma reacção por parte do supervisor, que em comunicado diz que a confissão de António Franco de "prestação de informações incompletas e não-verdadeiras às autoridades merece o máximo rigor da lei na apreciação dos seus actos".

Os homens-chave
José Oliveira Costa
Fundador e presidente do grupo BPN/SLN, queria formar um grupo de novas tecnologias para levar à Bolsa. Deu luz-verde ao negócio de Porto Rico, embora numa segunda fase se recusasse a injectar mais dinheiro

Manuel Dias Loureiro
Foi um dos entusiastas do negócio de Porto Rico. Era administrador da SLN e da SLN Novas Tecnologias. Intermediou e participou activamente no negócio das tecnológicas porto-riquenhas. Foi peça-chave na concretização e desfecho do negócio. Foi Dias Loureiro que apresentou Hector Hoyos e El-Assir a Oliveira Costa

Jorge Vieira Jordão
Entrou na SLN Novas tecnologias como técnico para avaliar do negócio de Porto Rico que já estava a ser estudado, em Agosto de 2001. Dá vários pareceres desfavoráveis às operações de compra da Biometrics e Novatech. Mesmo assim o negócio avança e sucede a Dias Loureiro na SNL Novas Tecnologias

Carlos Gonlçalves
Era administrador da SLN Novas Tecnologias, participou nas reuniões que conduziram à compra das empresas de Porto Rico. Foi, juntamente com Oliveira Costa e Dias Loureiro, na primeira viagem a San Juan, onde estava sediada a Biometrics. Saiu poucos meses depois por discordar do negócio

El-Assir
Empresário libanês radicado em Madrid com quem Dias Loureiro estabeleceu amizade, após ter ajuda do o político português a fazer os negócios em Marrocos (da Plêiade). Era o principal accionista (não assumido) das empresas de Porto Rico e participou nas reuniões decisivas no Estoril e San Juan de Porto Rico que conduziram à concretização do negócio

Hector Hoyos
Surge como sendo o presidente executivo da Biometrics e rubricou contratos com a SLN, mas era apenas o homem de mão de El-Assir

Quando a testemunha mente

Caso uma das testemunhas minta aos deputados, a presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito ao BPN, Maria de Belém, não tem dúvidas: "Se a mentira tiver relevância criminal será comunicada ao Ministério Público". É que, apesar de uma Comissão de Inquérito Parlamentar ter poderes equiparados aos de um tribunal de primeira instância, avalia apenas da responsabilidade política (nunca criminal) dos envolvidos. Ora, o regime jurídico das comissões parlamentares de inquérito é claro: "A forma dos depoimentos rege-se pelas normas aplicáveis do Código de Processo Penal sobre prova testemunhal". Isto quer à primeira vista dizer que, caso os depoentes numa Comissão Parlamentar de Inquérito não respondam com verdade às perguntas que lhes forem feitas pelos deputados, podem ser julgados (e condenados) por crime de falsidade de testemunho - punível, de acordo com o Código Penal, com prisão de seis meses até três anos ou multa nunca inferior a 60 dias. Mas esta é uma interpretação da lei. Outra é que, pelo facto de não prestarem juramento (ao contrário do que sucede em tribunal), os depoentes não podem ser acusados de falso testemunho. Até hoje nunca aconteceu. Há que esperar pela primeira vez para verificar qual das interpretações prevalece. C.F

Cronologia do negócio
Verão de 2001
El-Assir propõe negócio de Porto Rico a Dias Loureiro quando este estava a ultimar a venda da Redal, do universo da Plêiade, em Marrocos. Entretanto, El-Assir desloca-se ao Estoril no seu jacto particular e reúne-se com Oliveira Costa, Dias Loureiro, Carlos Gonçalves e Hector Hoyos. Pouco depois estes portugueses visitam as empresas em Porto Rico. Foi celebrado também um memorando de entendimento sobre a compra das tecnológicas.

Novembro 2001
Apesar de vários pareceres desfavoráveis, concretiza-se a compra das empresas Biometrics Imagineering e da NovaTech-NovaTechnologies Inc. Nesta altura é ainda efectuada a compra de 2626 acções do Excellence Assets Fund por parte da SLN à La Granjilla Corporation.

Julho 2002
A 22 é assinado um contrato de desvinculação da compra das duas empresas. Dias Loureiro representa a SLN e Hector Hoyos, a Biometrics. O negócio aborta com um prejuízo de 38 milhões de dólares, mas evita-se injectar mais dinheiro. O Excellence Assets Fund manteve uma participação accionista na Biometrics por mais dois anos.
I.V/J.R.

Comentários:
jamlopes, 1 ponto , hoje às 10:24
O simples cidadão não pode esquecer os seus deveres, porque se nao é penalizado, estas altas esferas que tratam de assuntos e assinam doc. importantes dizem simplesmente que se esqueceram, infelizmente mais um SR que faz parte do grupo dos esquecidos. Voto para que a justiça tenha força e poder para os sancionar de acordo com a legislação.

odisseia na terra, 1 ponto , hoje às 10:41
A CONSELHEIRO DE ESTADO
ESTE POLÍTICO FOI PARAR AO "BPN" UNICAMENTE PARA FAZER TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS E AO FIM DE TODOS ESTES ANOS ...FICOU RICO
O SEU TELEMÓVEL VALE MILHÕES.
OS SOCIALISTAS DEVIAM EXPLORAR A HISTÓRIA DESTE FULANO ... É UM FILÃO

LuisR, 1 ponto , hoje às 10:55
Já é grave que um tipo tenha feito fortuna "à base" do trafico de influências....enfim, o sistema assim os premeia.
O que não aceito é o descaramento deste senhor, tido como um gestor de excelência, com participações executivas, ou não, em várias administrações, tenha "convenientes lapsos de memória" que são aceites pelas tribos que gerem comissões de inquérito de idoneidade duvidosa (politizadas). Do quê é que este conselheiro de Estado mais o PR se podem "convenientemente esquecer"? Talvez de que os portugueses existem, que Portugal é uma Nação soberana? Que o tráfico de influências para benefício próprio é ilícito?
Será que no meio destes "acontecimentos" todos à volta desta, e de outras figuras, ainda existe sensaboria política para os manter em poleiros onde se deveria exigir "alguma seriedade"?

felicidade, 1 ponto , hoje às 12:43
Só quem não conhece os métodos usados por DL!
O caso Freeport foi uma espécie de ameaça a quem deixava desenrolar o BPN (governo). Por certo não é difícil acreditar que a "investigação" londrina foi uma encomenda (porque raio haviam de ser despedidos da empresa de investigação umas dezenas de advogados por incompetência?). O polvo e os seus tentáculos.
Nunca gostei do PS nem de Sócrates mas que há por aqui muita mãozinha de lobies, não parece haver dúvida.(...)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Banca 'aperta' Berardo e exige-lhe mais garantias


Os quatro bancos que financiaram a compra de acções do BCP por parte de Joe Berardo, no âmbito da luta pelo controlo daquela instituição, renovaram os empréstimos, que se vencem este mês, mas obrigaram o empresário a dar novas garantias e colaterais.No total, Berardo admitiu ter investido cerca de mil milhões de euros no banco então liderado por Jorge Jardim Gonçalves. Parte muito significativa daquele montante foi financiado pela CGD e pelo próprio BCP. Com menor exposição estão o BES e o Santander Totta. As menos-valias potenciais rondam cerca de €785 milhões.Os empréstimos estavam garantidos pelas próprias acções, mas a enorme perda de valor que registaram nos mercados bolsistas (o valor máximo foi de 4,30 euros e estão agora nos 0,85 euros) levou os quatro bancos a exigir ao empresário ou o pagamento dos empréstimos ou então novas garantias para os renovarem.Berardo terá tentado corresponder a essas exigências, dando como garantia a colecção de arte moderna do Museu Berardo, que se encontra em exposição permanente no Centro Cultural de Belém. Os bancos, contudo, recusaram, porque no acordo que fez com o Estado para manter a exposição no CCB, Berardo dá aos poderes públicos a possibilidade de exercerem o direito de preferência de compra no final do contrato.Nos mercados financeiros correu a indicação de que o Santander teria decidido executar a dívida, mas fonte oficial do banco disse que não foi tomada qualquer decisão nesse sentido. No total da exposição do empresário ao sistema financeiro, a parte do banco espanhol representa apenas 5%.
Empréstimos eram assegurados pelas acções do BCP, que perderam um terço do valor.

domingo, 11 de janeiro de 2009

BCP tem 28 gestores em licença com vencimento


São pelo menos 28 os gestores do Banco Comercial Português que trabalham noutras instituições mas recebem a maior parte do ordenado do banco liderado por Santos Ferreira. Um deles é o advogado Gomes da Silva, que trabalha na firma do filho de Jardim Gonçalves.
Segundo o jornal “Expresso”, o BCP tem em funcionamento um sistema que permite a alguns dos seus quadros irem trabalhar para outros sítios enquanto mantêm o vínculo contratual com o banco.
São as chamadas licenças sem vencimento, mas que no BCP não funcional como na generalidade das empresas. O Expresso adianta que o banco continua a pagar parte do ordenado a estes gestores, numa parcela que oscila entre 72% e 80%.
Este regime era utilizado apenas por elementos da direcção do banco, mas em 2003 foi aberta uma excepção. O advogado Gomes da Silva foi trabalhar para o escritório de advogados de Rodrigo Jardim Gonçalves, filho do fundador do banco.
O “Expresso” dá ainda conta que Carlos Picoito, o advogado do BCP que propôs que a dívida do filho de Jardim Gonçalves fosse considerada “perdoada”, também trabalha agora na firma do outro filho do fundador do banco.


OBS:
Ver "Expresso de Expresso de 10 de Janeiro de 2009. (...)
O Estado continua a ajudar os criminosos bancários em milhares de milhões de euros e os clientes accionistas que foram lesados pelo banco BCP, continuam extorquiados e a passar dificuldades catastróficas...

domingo, 4 de maio de 2008

Berardo: «Continua a haver manipulação no BCP»


http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=947521&div_id=१७२९

Empresário quer mais mudanças no banco Joe Berardo está satisfeito com a nova administração do BCP mas quer mais mudanças no banco, após ter assumido um papel determinante nas denúncias de operações ocorridas na instituição com sociedades «off-shore», que estão sob investigação.
Em entrevista ao «Expresso», diz ainda que não tem que explicar como se financiou para comprar acções do BCP e continua a recusar mostrar as contas da sua Fundação.
Quanto ao seu grande projecto neste momento diz que é «chegar a uma conclusão sobre o que aconteceu no BCP».
«Tem sido difícil para mim mas sinto que tenho estado a prestar um serviço, a proteger os accionistas que não têm a experiência nem a informação nem os advogados que eu tenho, para pôr termo aos abusos que estavam a ser feitos no banco. Nas minhas contas, os prejuízos provocados por anteriores administradores do banco atingem os 700 milhões de euros e eles tinham as remunerações indexadas aos lucros. É por isso que nós acabámos de propor que o conselho de remunerações e previdência seja eleito pelo conselho de administração. As contas dos anos anteriores não estavam correctas», refere aquele jornal.
Ainda assim, acredita que já foram feitas as rectificações às contas do BCP «que tinham de ser feitas», mas vai acrescentando que as coisas no banco não mudaram totalmente, até porque «o conselho superior mantém-se o mesmo».
«Houve manipulação do Jardim Gonçalves, de forma a manter a sua influência. Ele saiu do banco mas continua a ter lá pessoas do passado, que tinham relações com ele há muito tempo, não são todos pois entraram recentemente novos membros no Conselho Geral e de Supervisão», sublinha.
AO LONGO DA FAMIGERADA "CAMPANHA ACCIONISTA BCP" EM 2000/2001, QUE O BANCO LEVOU A CABO COM AS ACÇÕES PRÓPRIAS, FOI PROVADO HAVER INDÍCIOS DE VÁRIOS CRIMES... NO EXERCÍCIO DE 2000, O MONTANTE TOTAL DE PRÉMIOS A DISTRIBUIR PELOS FUNCIONÁRIOS FOI DE 22.603.817,40€, EM QUE OS ACCIONISTAS NÃO TIVERAM DIREITO A DIVIDENDOS!!!
AS ENTIDADES SUPERVISORAS E ÓRGÃOS DE MEIOS DE COMUNICAÇÃO DIVULGARAM AO PÚBLICO, MAS O BCP, MESMO COM A ACTUAL ADMINISTRAÇÃO, CUJO PRESIDENTE É O DR. CARLOS SANTOS FERREIRA, CONTINUA A EXTORQUIR, "ROUBAR" E A SAQUEAR DINHEIROS DAS CONTAS DAS VÍTIMAS (CLIENTES) SILENCIADAS E INDEFESAS, DANDO SEGUIMENTO PARA O BANCO DE PORTUGAL COMO SENDO DÍVIDA DE INCUMPRIMENTO, SUJANDO O "BOM NOME" DO CLIENTE... ENQUANTO OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS BANCÁRIOS CONTINUAM INTOCÁVEIS, SEM SER CHAMADOS À JUSTIÇA.

É A VERDADE DO QUE SE PASSOU E AINDA SE ESTÁ PASSAR NO MAIOR BANCO PRIVADO PORTUGUÊS! "MILHARES DE PESSOAS DESTRUÍDAS, EXTORQUIDAS E "ROUBADAS" DOS SEUS BENS PELO BCP (CAMPANHA ACCIONISTA MILLENNIUM BCP E OUTRAS SITUAÇÕES GRAVES)..."
- "TAMBÉM ALGUMAS NOTÍCIAS FINANCEIRAS ACTUALIZADAS"
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DURING THE INFAMOUS "CAMPAIGN SHAREHOLDERS BCP" In 2000/2001, the Bank has undertaken WITH OWN ACTIONS, HAS PROVEN Indications of HAVER SEVERAL CRIMES ... In 2000, THE TOTAL AMOUNT OF PREMIUMS FOR EMPLOYEES WAS A DISTRIBUTE OF € 22,603,817.40, in which shareholders were not entitled to dividends!!!
AND BODIES supervisors of media available to the public, but the BCP, EVEN WITH THE CURRENT ADMINISTRATION, WHICH IS THE PRESIDENT DR. CARLOS SANTOS FERREIRA, continues to extort, "theft" Drawing MONEY AND VICTIMS OF THE ACCOUNTS (CLIENTS) Silent and Helpless, following FOR BANK OF PORTUGAL AS BEING DEBT OF FAILURE (CRC) of the client. While the primary banking responsibility untouchables CONTINUE WITHOUT BEING CALLED TO JUSTICE.

IS THE TRUTH of what happened and if IS MOVING IN A MORE PRIVATE BANK PORTUGUESE! "Thousands of people destroyed and EXTORQUIADAS THEIR PROPERTY BY BCP (BCP MILLENNIUM CAMPAIGN SHAREHOLDERS AND OTHER serious )..."
- "UPDATES FINANCIAL ALSO NEWS OF THE WORLD"