
Depois da Grécia, George Soros alerta agora para os riscos de uma desintegração da zona euro, caso os países da união monetária não alterem a maneira como vão enfrentar as futuras crises de dívida. O 'crash' financeiro de 2008 "revelou a falha" na maneira como foi criado o euro, explica hoje George Soros num artigo do Financial Times, onde adianta que "a zona euro poderá vir a desintegrar-se" caso os países da zona euro não consigam adoptar novas medidas, além de salvarem os bancos nacionais de forma independente, em casos de crise dos sistemas financeiros. No mesmo artigo, George Soros considera "manifestamente errada" a forma como o euro foi constituído, defendendo a necessidade de que uma moeda "totalmente operacional" requer, em simultâneo, um banco central e um organismo como o Tesouro. "O Tesouro não precisa de ser usado para tributar os cidadãos diariamente, mas é preciso que esteja disponível em tempos de crise. Quando o sistema financeiro está em perigo, o banco central pode proporcionar liquidez, mas apenas o Tesouro pode lidar com problemas de solvência", acrescentou. George Soros considera também que uma "ajuda combinada" deverá ser suficiente para resolver os problemas de endividamento da Grécia, mas Espanha, Itália, Portugal e Irlanda "constituem uma parcela demasiado grande da Zona Euro para serem ajudados desta forma". O investidor nota, contudo, que a "sobrevivência da Grécia ainda deixa em questão o futuro do euro".
1 comentário:
Revelações obtidas pelo FOLHA 8 em Luanda dão conta de que a Sistec, uma empresa angolana essencialmente ligada aos ramos da informática e das telecomunicações, estará envolvida naquilo que poderá ser uma das maiores fraudes financeiras de fórum empresarial conhecidas em Angola nos últimos 22 anos.
Os factos a isso subjacentes, revelados por uma fonte identificada que pediu o anonimato, apontam para uma sistemática fuga ao fisco, obtenção fraudulenta de contratos de fornecimentos e sobrefacturação. A confirmarem-se tais factos, também, podem ser vistos como uma conspiração contra o povo angolano, se se tiver em conta que a tributação fiscal é o meio mais eficaz de solidariedade social, instituído pelo regime deste País, onde 61 por cento da população vive em estado de virtual indigência. A fonte do FOLHA 8 afirma que as fraudes são a real fonte de receitas da SISTEC que, por exemplo, sobrefactura frequentemente, na ordem dos 100 por cento, os fornecimentos de material e equipamentos às Forças Armadas Angolanas, FAA.
Em 1994, quando a SISTEC facturou três milhões de dólares em negócios com as FAA, um fornecimento de rádios PRC comprados à TransWorld Communications (TWC), pelo valor de dois milhões de dólares, foi cobrado pelo dobro do seu valor, indicou a fonte. Disse que é esta variante da negociata que permite “o aparecimento de grandes ricos dentro da empresa” e que é por este meio que indivíduos ligados a instituições do Estado tornam-se accionistas da empresa. Atribuindo contratos fraudulentos à SISTEC e permitindo que os valores dos fornecimentos sejam sobrefacturados, indivíduos ligados ao Estado passam a ter participação nos lucros da empresa. Estes, os lucros, são chorudos, segundo a fonte que revelou que no fim de 1994 um grupo de seis titulares de sete acções obteve rendimentos individuais der 500 mil dólares americanos.
O informador do FOLHA 8 afirma que, em 1993, quando a empresa atravessava uma crise financeira e não tinha dinheiro para pagar os direitos alfandegários, Rui Santos reduziu pela metade o valor de algumas facturas de importação. Dessa forma declararia às Alfândegas um valor inferior ao que deveria pagar em taxas e impostos.
A fonte aponta exactamente um fornecimento proveniente da Técnica (Far Esat) Ltd, uma firma de Hong-Kong que é propriedade de um português conhecido por Fazenda.
O fornecedor enviou dois tipos de facturas, sendo uma “invoice” (in) com o verdadeiro preço do fornecimento, e outra “Customes” (C.U.) com um preço 40 por cento inferior e alegadamente fictício.
Ao declarar à Alfandega, a Sistec apresenta a factura (C.U.), da qual supostamente deduz ainda 50 por cento, e, ao fixar o preço fá-lo com base no valor da factura “in” multiplicado por 1,7, que é o valor dos impostos, taxas e do frete.
Dessa maneira, estimou a fonte, são ludibriadas as Alfandegas, Seguradora, Transportadoras e os Consumidores.
In FOLHA 8, 26 de Setembro de 1997
Enviar um comentário