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quarta-feira, 20 de maio de 2009

O comboio descendente


A economia está a vingar-se do sistema financeiro pagando na mesma moeda: agravando-lhe os problemas. O Banco de Portugal chama-lhe agora "espiral descendente", mais fácil de explicar do que de resolver. Como fazer o curto-circuito?

Crise com crise se paga. Também se lhe podia chamar "efeito bola de neve" ou, como o símbolo do infinito, uma cobra que engole a cauda: o colapso do sistema financeiro contagiou dramaticamente a economia, que, entrando em recessão, devolve agora pouco negócio e muito malparado aos bancos; estes, ao contrário, precisam de capital, que está escasso e encarecido pelos maus "ratings" dos Estados que se endividaram... para acudir à economia e ao sistema financeiro.
Como mostra o relatório do Banco de Portugal de ontem, é a rentabilidade dos capitais dos bancos que se deteriora; e é o crédito malparado que dispara, sendo legítimo esperar um agravamento grande nos próximos meses, não tanto das famílias, mas sobretudo das empresas. Todas as estatísticas, incluindo as incontestadas, revelam níveis de desemprego e de falta de encomendas à indústria que ainda não produziram os últimos efeitos nas tesourarias. Isto será mais visível no Interior e no Norte do País, que deixou de ter Espanha a comprar os materiais de construção e os equipamentos que lhe viabilizavam as empresas. Mesmo que a Cosec passe a assumir o risco de clientes estrangeiros, por exemplo nos mercados de Leste, a substituição das vendas não é certa nem rápida.
As famílias já inverteram no final de 2008 o seu comportamento de endividamento compulsivo. Pela primeira vez desde pelo menos 1995, os depósitos bancários cresceram mais do que os créditos; a poupança subiu (o que nem na crise de 2003 tinha acontecido); e as suas dívidas somadas representam agora ligeiramente menos do que vale o PIB. Mas não é assim nas empresas, onde as dívidas representam 140% do PIB e não estão a reduzir-se. Não é por pulsão suicida, é porque não basta querer. Para amortizar capital em dívida é preciso... capital. A reestruturação nas empresas demora a produzir resultados como virar o leme de um porta-aviões.
A vida financeira de Portugal está a mudar e, apesar da medalha de bom comportamento dos bancos em Portugal face ao descalabro dos activos tóxicos (de que é vítima mas não culpada), os balanços vão ressentir-se durante longos anos. Quem olha para a bolsa e vê as suas acções finalmente a subir, vê nisso bom presságio: e é. É sobretudo a constatação de que a fase da angústia colectiva acabou. Mas enquanto nos mercados financeiros se discute se estamos a fazer uma recuperação em "V" ou uma lomba num "W", quem gere bancos está a torcer para que o seu negócio esteja num "U" de recuperação lenta mas não num "L" de estagnação longa.
Não é por acaso que, nos títulos das mais de trinta mil notícias que o Negócios publicou nos últimos doze meses - celebradas nesta edição de Sexto Aniversário - as três palavras mais reincidentes tenham sido "Bolsa", "Banca" e "Queda". Não é premoção nem promoção, mas revelador da espiral. Houve um tempo em que, como escreveu Pessoa, "no comboio descendente, vinha tudo à gargalhada". Agora já não é assim: todos os bancos estão fragilizados e vulneráveis. Mas já ninguém se ri. E assim se muda de vida.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cambada de poupadinhos...

Consumismo desenfreado, crédito demasiado fácil, famílias sobreendividadas, economia hipotecada. Lembra-se de todas as lições de moral? Esqueça: agora é preciso que gaste dinheiro. Estes economistas estão loucos.

Se quer ajudar a economia, gaste dinheiro. Consuma! Comprar mais um plasma, adquirir um automóvel e jantar fora, se possível duas vezes no mesmo dia, é mais patriótico que apoiar a recandidatura de Durão Barroso. Quem produz precisa de clientes para manter o presente, que diabo!
Trata-se de um exagero, claro, mas ilustra a esquizofrenia destes tempos modernos: os macroeconomistas que durante anos avisaram para a irresponsabilidade dos consumos alertam agora para a responsabilidade que as poupanças vão ter nas economias. É como o sal: de mais gera doença, de menos traz insipidez.
Os consumidores não passaram da bulimia para a anorexia mas a economia pode morrer da cura. Silva Lopes foi dos primeiros a dizê-lo, há uns valentes meses: é urgente poupar, mas de todos os momentos em que isso se manteve essencial, agora é a pior altura para começar.
A economia portuguesa representa um mercado doméstico pequeno. Mas, com a queda brutal nas exportações e no investimento dos últimos meses, a redução do consumo é mais um prego no caixão: todas as variáveis conduzem a falta de vendas e de margens das empresas, que logo cortam custos e reduzem a sua dimensão, logo empregando menos e, sim, pagando salários menores.
Se os consumidores empregados não consomem é porque têm medo. Com esta baixa inflação, redução dos bens alimentares, das gasolinas e das prestações, este ano resultará, para os empregados, num dos maiores aumentos de rendimento disponível em décadas. Para onde está a ir esse dinheiro? Para o colchão, para os depósitos a prazo (40 milhões por dia no último ano), poupanças.
Pode parecer estranho ouvir Sócrates justificar mais investimentos em vez de menos impostos porque assim as pessoas não gastariam dinheiro. Mas o primeiro-ministro está a falar como um economista informado. Se os economistas lhe pedem que gaste hoje o que está a adiar para amanhã, não lhe estão a desejar o suicídio. Mas estão a pedir-lhe que dê um passo atrás antes de dar dois em frente.
A questão no abstracto faz sentido: gaste, consuma, não adie, compre. Mas, na prática, tal só acontecerá quando houver confiança. E, no concreto, não só o País está, de facto, hiperbolicamente endividado (deve mais de 100% do PIB, o seu crescimento anual serve para pagar os juros), como as famílias têm de aproveitar a folga na Euribor para suavizar erros passados e preparar embates futuros.
Escreva isto na porta do frigorífico: os juros estão baixos mas só temporariamente. Os países estão a resolver as suas crises com mais dívidas, que será preciso pagar no futuro. E esta hipótese de deflação é um fantasminha improvável face aos riscos de grandes inflações para depois desta crise.
Antes de as economias merecerem que gaste o seu dinheiro, têm de lhe sossegar as incertezas. Se é dos felizardos que têm mais dinheiro no fim do mês agora do que há um ano, olhe para as dívidas de hoje e para os juros do futuro. Poupar ou gastar é uma pergunta nacional mas tem resposta individual. Como diz a revista "Sábado", pense por si.

OBS:
Lembre-se amigo Pedro Guerreiro que quem estava habituado há mais de 10 anos a consumir em demasia e que fazia subir o consumo e a economia inclusive; hoje está super endividado e bloqueado no BdP em incumprimento... Por isso acabou o consumo... É lógico, que quem poderia consumir, não consome, pois as ideias dos que não se endividaram durante estes últimos tempos, foram sempre de aforradores... Estamos caminhando para um sistema em que os gananciosos bancários menos esperavam... (José)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Os filhos da mãe dos salários

O mundo anda um bocado louco, é preciso dar o desconto. Mas o ataque aos salários altos, feito desta forma, é pólvora ao sol. Armando Vara e Zeinal Bava foram ontem atirados para o pelourinho, amanhã serão outros. Pelo que fazem? Não: pelo que ganham. Será que o Bloco de Esquerda está a governar e não demos conta?
O mundo anda um bocado louco, é preciso dar o desconto. Mas o ataque aos salários altos, feito desta forma, é pólvora ao sol. Armando Vara e Zeinal Bava foram ontem atirados para o pelourinho, amanhã serão outros. Pelo que fazem? Não: pelo que ganham. Será que o Bloco de Esquerda está a governar e não demos conta?
A polémica dos salários é antiga, mas ficou actual com o colapso da banca: é incompreensível que os gestores que deram cabo disto fossem pagos em ouro; é imoral que tenham sido despedidos com pára-quedas dourados; é escandaloso que a AIG, que já sugou 180 mil milhões aos contribuintes americanos, tenha agora distribuído 165 milhões de dólares em bónus a gestores. Citando Marx, o Groucho, há homens que deviam ter vergonha de estar em empresas que os aceitam como presidentes.

Em Portugal, não houve nenhum destes casos. O único banco que pagava acima do que a decência recomenda era o BCP, no tempo de Jardim Gonçalves e, apesar de menos, também no de Teixeira Pinto. Desta vez, o caso Armando Vara não é um caso: o homem foi ganhar o dobro para o BCP porque na Caixa se paga menos que no resto da banca. Eis um bom exemplo sobre a relatividade: Vara e Santos Ferreira foram ganhar de mais, pois duplicaram o salário face ao da Caixa? Ou de menos porque o seu salário é cinco vezes menor que o dos seus antecessores?
Ao professar que os salários da PT devem baixar, Mário Lino está não só a meter o bedelho numa empresa privada como a ser mais moralista que moralizador. Quer transparência? Faz bem. Pode começar pelo seu próprio Ministério, pela TAP, pela CP, pela Refer, onde é impossível fazer escrutínio.
A PT tem comissão de vencimentos e as declarações de Lino são uma pressão sobre o que esta vai definir para a próxima administração da empresa. Mesmo que tenha razão, Lino optou pela forma errada: pela pressão pública e mediática. É "oportunismo", como bem disse ontem Sócrates.
É, até, injusto. Granadeiro e Zeinal merecem sair destes três anos na PT sem este anátema da ganância. A sua administração reduziu o números de chefias, limpou mordomias, eliminou um "andar" de antigos gestores perpétuos; congelou salários acima de 2.900 euros; reduziu o peso dos salários face aos dividendos, lucros e receitas, tendo aumentado dividendos, lucros e receitas - e impostos pagos.

Sobretudo: a retórica de Lino é incendiária numa altura em que o mundo está dividido entre privilegiados e proscritos - e ninguém sabe muito bem quem está de um lado ou do outro. Está a instalar-se um horror ao lucro que só apraz aos populistas. O moralismo está para a moral como o justicialismo está para a justiça: é o seu inverso. Não tarda estamos a apedrejar Mercedes novos. Outra vez.
Um óptimo exemplo foi ontem dado por uma empresa do próprio Ministério das Obras Públicas: pela primeira vez, a Carris deu lucro operacional. É uma notícia notável, conseguida depois da empresa passar a ter contrato de gestão e objectivos. Porque cortou carreiras, reduziu custos, reestruturou, subiu produtividade, mostrou-se que é possível gerir transportes de forma economicamente viável. Agora, a administração vai receber prémios. Ficamos horrorizados com a "ganância" de Silva Rodrigues? Ou elogiamos a sua gestão?
Felizmente, o homem que está à frente deste País está contra o "oportunismo" e o discurso "da mais pura inveja social". Ambição não é ganância e política não é demagogia. Mas uma e outra podem ser inveja. Cuidado com o fogo. É facílimo ateá-lo, difícil é apagá-lo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O escandaloso negócio com Manuel Fino


Tornou-se um lugar-comum desta crise: este não é um tempo de ideologias, mas de acção. Mas há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara.
Tornou-se um lugar-comum desta crise: este não é um tempo de ideologias, mas de acção. Mas há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara.
O que remete para o acordo da Caixa com Manuel Fino, o encarecimento do crédito às empresas e a retórica das PME.
A estrutura accionista do BCP tornou-se uma Liga dos Últimos, somando grandes prejuízos e grandes dívidas, patrocinadas sobretudo pela Caixa. Quem emprestou e quem pediu emprestado mediu mal o risco e começaram os incumprimentos.
Uma hipótese era a Caixa executar as dívidas e ficar com as acções dos clientes, o que a tornaria "dona" do BCP.
A alternativa foi renegociar. Mas é estranho que, tendo a Caixa todo o poder, tenha entregue a faca e o queijo ao esfomeado. Aceitou-se como garantia tudo e um par de botas, deram-se carências de capital e de juros (!) e assim se salvaram grandes fortunas falidas do País.
O caso roça o inacreditável no acordo entre a Caixa e Manuel Fino, revelado por este jornal na segunda-feira: o empresário entregou quase 10% da Cimpor à Caixa, mas as cláusulas leoninas foram a seu favor. A Caixa pagou mais 25% do que as acções valem; não pode vender as acções durante três anos; e Fino pode recomprar as acções, o que significa que foi a Caixa que ficou com o risco: se as acções desvalorizarem, perde; se valorizarem, Fino pode recomprá-las e ficar com o lucro. Não há dúvidas de que Manuel Fino fez um óptimo negócio e de que zelou pelos seus interesses. Assim como a Caixa - zelou pelos interesses de Manuel Fino.
Tudo isto seria grave em qualquer circunstância, mas numa altura de crise é pior. A desigualdade entre grandes e pequenos empresários é gritante. E a protecção dos fracassos dos primeiros tapa a possibilidade de ascensão dos segundos.

Portugal tem poucos empresários grandes e ainda menos grandes empresários. Mas continuamos a tratar a economia como se fosse um feudo que os perpetua, sob o falso convencimento de que é preciso proteger "o que é nosso" quando se está a proteger apenas "o que é deles". Todo o discurso dos Centros de Decisão Nacional só serve para isso: manter no poder quem lá está, impedindo a concorrência e a regeneração do sistema. Mais: nem sequer é verdade que proteger empresas implica salvar os seus accionistas. E, pior, muitos desses empresários estão a devolver à sociedade prejuízos e dívidas.
As PME têm muito do que se queixar. Passaram a estar no centro do discurso político porque são uma espécie de classe média (e baixa) da economia: numerosas, tributadas e abstractas. Mas da retórica política à prática vai um salto: têm mais dificuldade de acesso ao crédito e recebem renovações com taxas de juro muito superiores ao que a conjuntura sugere. Há empresas viáveis que estão a receber cartas com revisões unilaterais para taxas superiores a 10%, o que é revoltante.

Quando o Estado cobriu a parada no BPN, estava a proteger o sistema. No BPP, protegeu os clientes (incluindo caixas agrícolas e organizações religiosas). Com os accionistas do BCP, não protege sequer quem cria riqueza, mas quem especulou com acções e se deu mal. Se este negócio não é escandaloso, os gestores de PME vão ali e já voltam. Ou, se calhar, já não voltam.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

BCP pensa fazer a tripla!!!


Os resultados de 2008 dos grandes bancos em Portugal foram maus. Menos lucros, menos receitas, mais malparado e perdas em acções devastadoras (nos balanços ou nos fundos de pensões). Agora, é preciso capital: uns recorrem a accionistas, outros a clientes, outros a amigos. O BCP faz a tripla.

Os resultados de 2008 dos grandes bancos em Portugal foram maus. Menos lucros, menos receitas, mais malparado e perdas em acções devastadoras (nos balanços ou nos fundos de pensões). Agora, é preciso capital: uns recorrem a accionistas, outros a clientes, outros a amigos. O BCP faz a tripla.
Apesar do grande plano comum, os resultados não foram todos iguais. O Santander Totta teve os melhores resultados entre os quatro grandes privados, com uma rentabilidade que já não se usa. Como ele, também o BPI escora a sua solidez de capital num accionista espanhol, dispensando aumentos de capital (e alimentando o seu negócio a partir de Angola). De capital precisa o BES e o BCP, que têm formas diferentes de chegar a esse fim. Falta saber os resultados da Caixa, mas é certo que as brutais perdas com acções lhe vão comer um resultado que, de outra forma, poderia ser pornográfico: o banco do Estado captou depósitos como ninguém, mas canalizou os créditos com uma missão mais de Estado do que de banco - veremos com que custos.
São os bancos mais capitalizados aqueles que sairão melhor desta crise. E mesmo quem discorda não tem alternativa, depois dos ingleses terem aumentado os rácios mínimos de capital dos bancos, forçando todos os outros a fazê-lo, mesmo que contrariados.

O BCP apresentou ontem resultados sob uma grande expectativa: precisaria de aumentar capital? Mas como, se os seus accionistas estão depenados e se o BES se antecipou e já fez uma colocação, ocupando "espaço" no mercado? Desfecho: o BCP precisa de mais capital. Mas não precisa de aumentar capital.
Saiu um coelho da cartola: o BCP vai emitir títulos que, ao abrigo das novas regras contabilísticas de Basileia, criam um alçapão que permite não ter de pedir mais dinheiro aos accionistas. Pede aos clientes: inspirado no que o Sabadell fez em Espanha, o BCP pedirá capital aos balcões.
Não há grande mal na solução, mas também não há grande bem. É uma alternativa provavelmente cara e pouco flexível, que ajudará a sacrificar a margem (esqueçam os ROE por uns anos). Tem no entanto o condão de não exigir dinheiro aos accionistas, que o não têm, penhorados que estão aos credores, de que é exemplo o eixo outrora virtuoso, agora vicioso, BCP, Teixeira Duarte, Cimpor (que já caiu no colo da Caixa, transformada numa Casa de Penhores que paga o que o cliente precisa).

O Millennium não faz o aumento de capital que quer, mas a emissão de títulos que pode. É uma solução que, todavia, confia numa norma (IRB) que o Banco de Portugal ainda não aprovou. A necessidade aguçou o engenho e, felizmente, não aguçou a engenharia. O relatório de auditoria dirá como interpretar um nível de provisões muito mais alto que os concorrentes (se é prudência ou se antecipa ainda mais imparidades no malparado, por exemplo, com operações imobiliárias). E clarificará o ganho de "trading" de 110 milhões no último trimestre (mais de metade do lucro) que não está detalhado no relatório de ontem.
O Millennium conseguiu passar a fase de auto-destruição sem perder clientes, o que foi notável. Se conseguir que esses clientes lhe emprestem agora 1,2 mil milhões de euros, o BCP pode voltar a agradecer-lhes a confiança. Se não conseguir, há alternativas. Capital do Estado? "Nunca", diz Santos Ferreira. Há sempre empréstimos da Casa de Penhores.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Xenofobia financeira? Shame on you...


O Reino Unido está todo ele em manifestação contra os trabalhadores estrangeiros. É grave, é assustador e não é apenas proteccionismo: é a civilização na Idade Média. Todos os povos têm, afinal, um preço: o dos ingleses é este.
O Reino Unido está todo ele em manifestação contra os trabalhadores estrangeiros. É grave, é assustador e não é apenas proteccionismo: é a civilização na Idade Média. Todos os povos têm, afinal, um preço: o dos ingleses é este.
Nem quando Thatcher teve três milhões de desempregados, mais do que hoje, se chegou a este canibalismo de sobrevivência. É disso que se trata: expulsar o próximo para lhe ficar com o emprego. Ser estrangeiro não é uma ideologia profunda, é um critério à mão. E se o Governo inglês e a Rainha (se não for para isto, serve Majestade para quê?) não contrariarem este impulso de purga, podem guardar um capítulo na história do Século XXI para este reino pouco unido, que afinal também expulsa povos. Se Winston Churchill cá andasse...
Não se trata de lições de moral, mas de perceber o que está em causa. Depois de motins em França e na Grécia, chegamos ao hooliganismo inglês à porta das fábricas. É uma semente do mal, que pode gerar contra-reacções em cadeia nos povos que querem expulsar. Nós, cidadãos do mundo, devemos temer. Nós, portugueses, podemos tremer. Nós, que até temos na História a ignomínia moral (e o erro económico!) de expulsar os judeus, fizemo-nos emigrantes e ainda o somos.
As manifestações no Reino Unido são um resultado visível da crise económica brutal que nos assola. É a xenofobia económica que ameaça os povos.
Também há a xenofobia financeira. A escala é incomparável mas começa a ser insuportável o desdém com que a Standard & Poor's revê o risco de dívida de Portugal e das nossas empresas.
Nicolau Santos já escreveu duas vezes sobre isto no "Expresso" e eu entro no coro. Não se trata de "forças ocultas" ou de complexos de perseguição: a S&P está a tratar de forma injusta e descaradamente desequilibrada Portugal, Espanha, Itália e Grécia, mantendo países que têm os bancos em frangalhos (como a Inglaterra, a Irlanda, a Alemanha, a Bélgica) com "ratings" melhores, logo a pagar menos que os nossos.
Ontem foi a vez do BES e do BPI, com ameaças ao BCP. Desacreditadas, as agências de "rating" mantêm, todavia, a eficácia das decisões: estas revisões significam que pagaremos mais pelo crédito, em termos absolutos e também relativamente a concorrentes quase falidos. Os cobardes são assim: fortes com os fracos e fracos com os fortes.
A não ser que seja, também, preconceito. Que nos desqualifiquem por sermos PIGS (Portugal, Itália, Grécia, "Spain"), como na piada da decadente City de Londres. Os bancos portugueses e espanhóis estão entre os que se portaram melhor nesta história, os nossos por terem renegado grandes riscos que prometiam grandes lucros, os deles por terem (alguns) feito bem as suas internacionalizações - ambos por melhor gestão.
Se aqueles que emprestam dinheiro forem melhor informados do que a S&P é formada, pode até haver, por ironia, um ricochete que nos beneficie: como pagaremos taxas de juro mais altas mas não temos (temos?) risco de incumprimento, pode haver mais crédito disponível. Mas isto é o que os ingleses chamam de "wishfull thinking", "desejo que aconteça".
O que se está a passar em Inglaterra faz não me apetecer elogiar-lhes a língua. Mas como não me presto a bárbaro, continuo a citar-lhes as melhores expressões: "shame on you".

A GANÂNCIA BANCÁRIA:
AO LONGO DA FAMIGERADA "CAMPANHA ACCIONISTA BCP" EM 2000/2001, QUE O BANCO LEVOU A CABO COM AS ACÇÕES PRÓPRIAS, FOI PROVADO HAVER INDÍCIOS DE VÁRIOS CRIMES... NO EXERCÍCIO DE 2000, O MONTANTE TOTAL DE PRÉMIOS A DISTRIBUIR PELOS FUNCIONÁRIOS FOI DE 22.603.817,40€, EM QUE OS ACCIONISTAS NÃO TIVERAM DIREITO A DIVIDENDOS!!!
AS ENTIDADES SUPERVISORAS E ÓRGÃOS DE MEIOS DE COMUNICAÇÃO DIVULGARAM AO PÚBLICO, MAS O BCP, MESMO COM A ACTUAL ADMINISTRAÇÃO, CUJO PRESIDENTE É O DR. CARLOS SANTOS FERREIRA, CONTINUA A EXTORQUIR, "ROUBAR" E A SAQUEAR DINHEIROS DAS CONTAS DAS VÍTIMAS (CLIENTES) SILENCIADAS E INDEFESAS, DANDO SEGUIMENTO PARA O BANCO DE PORTUGAL COMO SENDO DÍVIDA DE INCUMPRIMENTO, SUJANDO O "BOM NOME" DO CLIENTE... ENQUANTO OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS BANCÁRIOS CONTINUAM INTOCÁVEIS, SEM SER CHAMADOS À JUSTIÇA.

É A VERDADE DO QUE SE PASSOU E AINDA SE ESTÁ PASSAR NO MAIOR BANCO PRIVADO PORTUGUÊS! "MILHARES DE PESSOAS DESTRUÍDAS, EXTORQUIDAS E "ROUBADAS" DOS SEUS BENS PELO BCP (CAMPANHA ACCIONISTA MILLENNIUM BCP E OUTRAS SITUAÇÕES GRAVES)..."
- "TAMBÉM ALGUMAS NOTÍCIAS FINANCEIRAS ACTUALIZADAS"
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DURING THE INFAMOUS "CAMPAIGN SHAREHOLDERS BCP" In 2000/2001, the Bank has undertaken WITH OWN ACTIONS, HAS PROVEN Indications of HAVER SEVERAL CRIMES ... In 2000, THE TOTAL AMOUNT OF PREMIUMS FOR EMPLOYEES WAS A DISTRIBUTE OF € 22,603,817.40, in which shareholders were not entitled to dividends!!!
AND BODIES supervisors of media available to the public, but the BCP, EVEN WITH THE CURRENT ADMINISTRATION, WHICH IS THE PRESIDENT DR. CARLOS SANTOS FERREIRA, continues to extort, "theft" Drawing MONEY AND VICTIMS OF THE ACCOUNTS (CLIENTS) Silent and Helpless, following FOR BANK OF PORTUGAL AS BEING DEBT OF FAILURE (CRC) of the client. While the primary banking responsibility untouchables CONTINUE WITHOUT BEING CALLED TO JUSTICE.

IS THE TRUTH of what happened and if IS MOVING IN A MORE PRIVATE BANK PORTUGUESE! "Thousands of people destroyed and EXTORQUIADAS THEIR PROPERTY BY BCP (BCP MILLENNIUM CAMPAIGN SHAREHOLDERS AND OTHER serious )..."
- "UPDATES FINANCIAL ALSO NEWS OF THE WORLD"