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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

BCP obrigado a devolver arredondamento de juros aos clientes



O tribunal obrigou o BCP a devolver aos clientes o arredondamento de juros que o banco fazia para o quarto percentual superior. As cláusulas dos empréstimos à habitação, ou para obras, dos contratos anteriores a 2006 com arredondamentos para cima ficam assim anuladas.

De acordo com o Diário de Notícias (DN), o Millennium BCP terá de devolver aos seus clientes os arredondamentos de juros que fazia, para o quarto percentual superior, nos empréstimos à habitação ou para obras.

A decisão é do tribunal e acaba de transitar em julgado, não podendo a instituição recorrer, aplicando-se a todos os processos anteriores a Dezembro de 2006, data a partir da qual a lei passou a impor o arredondamento dos juros à milésima.

O tribunal obrigou também o banco a anunciar esta decisão em dois jornais diários durante três dias, para que os clientes lesados tomem conhecimento e possam começar já a exigir a devolução dos juros pagos em excesso.

A acção foi intercalada pelo Ministério Público da Procuradoria da República da área cível de Lisboa, coordenada pelo procurador da República Pina Martins, segundo o DN.

Um exemplo da prática "abusadora" do banco era arredondar uma taxa de 4,18% para 4,25%, o quarto percentual superior. A prática era comum nos bancos portugueses.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

CASO BCP - Dívidas de Berardo na mira da Troika


O empresário obteve um crédito de mil milhões em 2007 da Caixa Geral de Depósitos de Santos Ferreira e Armando Vara para comprar acções do BCP, que hoje valem apenas 73 milhões, conta o jornal i na edição de hoje.

Os bancos portugueses estão aflitos com a chegada da troika aos seus balanços. Diz o jornal i que o dinheiro que lhes falta para financiar a economia está nas mãos de alguns, poucos grandes clientes que o pediram para comprar acções que agora não valem nem metade do que custaram.

Os investimentos do empresário madeirense Joe Berardo são um bom exemplo.

OBS:
As acções do BCP estão a baixo dos 24 cêntimos por acção, no princípio do século estiveram perto dos 6 euros por acção (5,94€) !


http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=FICHA_ACCAO_V2&isin=PTBCP0AM0007&plaza=51&indice=psi20&calidad=tr&nom=BCP

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Moody's corta 'rating' de oito bancos portugueses


A agência de notação financeira Moody's cortou hoje o 'rating' de oito bancos portugueses, cinco descem um nível e a outros três são cortados dois níveis, na sequência do corte em dois níveis do 'rating' da dívida pública portuguesa.

Em comunicado, a agência indica que o 'rating' da Caixa Geral de Depósitos, do Santander Totta, do Banco Espírito Santo (BES), do Banco BPI e do Espírito Santo Financial Group foi revisto em baixa em um nível.

O Banco Comercial Português (BCP), o Montepio Geral e o Banif sofreram, por sua vez, um corte de dois níveis.

O 'rating' atribuído ao Banco Português de Negócios, de Baa3/Prime-3 a ser analisado para um possível corte, manteve-se inalterado.

"O corte no 'rating' da dívida dos oito bancos portugueses reflecte a capacidade reduzida do Governo em apoiar os bancos", afirma a vice presidente adjunta, e responsável pela avaliação dos bancos portugueses na Moody's, Maria-Jose Mori, no comunicado.

No caso do Santander Totta, BES e BPI, o corte que foi apenas de um nível é explicado pela maior flexibilidade financeira que lhes permite compensar o impacto de um menor apoio sistémico.

A agência sublinha ainda que, no caso destes três bancos, a probabilidade de existir apoio sistémico disponível para estes bancos é maior uma vez que dispõem de um papel proeminente dentro do sistema financeiro português.

No caso do BCP, Montepio Geral e Banif, os bancos tinham um 'rating' individual mais baixo sofreram um corte de dois níveis por estarem "mais expostos a um enfraquecimento do apoio sistémico".

A Caixa Geral de Depósitos é a excepção, que vê o seu 'rating' ser cortado em apenas um nível apesar do seu 'rating' individual ser mais baixo, porque continua a beneficiar de um forte apoio sistémico devido à sua dimensão e condição de banco completamente detido pelo Estado.

O 'rating' do Espírito Santo Financial Group foi cortado em um nível porque o 'rating' do BES foi também cortado e este é o principal elemento a ter em conta na avaliação a realizar ao banco.


OBS:

Credit Suisse faz avaliação negativa do BCP

O BCP foi hoje alvo de um 'downgrade' por parte da Moody's, cujo 'rating' passou de A1 para A3, com 'outlook' negativo.

O Credit Suisse iniciou a cobertura dos títulos do BCP com uma recomendação de ‘underperform’ e um preço-alvo de 66 cêntimos.

Na primeira avaliação ao BCP, os analistas do Credit Suisse (CS) mostram-se preocupados com a evolução dos títulos do banco liderado por Carlos Santos Ferreira nos próximos 12 meses e apresentam uma recomendação de ‘underperform' com um preço-alvo de 66 cêntimos.


http://economico.sapo.pt/noticias/credit-suisse-faz-avaliacao-negativa-do-bcp_94550.html

domingo, 10 de janeiro de 2010

"Há grande forretice política no que respeita aos meios"


É um dos rostos mais conhecidos no combate à corrupção em Portugal, e, quando é necessário um protagonista para esta bandeira, o seu nome surge no topo da lista. Durante uma hora de conversa com o DN, irrita-se com a repetição de algumas perguntas e nega-se a comentar os casos doutros magistrados. Mas não tem papas na língua

Para quem vem do MRPP, houve um grande desvio de direita ao entrar para a Polícia Judiciária e Ministério Público?

O MRPP é uma coisa remota na minha vida, que tem mais de 30 anos. Mas o MRPP era o sonho de uma sociedade melhor, com igualdade, justiça e liberdade. Portanto, não concordo com essa acusação de "desvio", bem pelo contrário, esse passado até me dá uma propensão para a luta pela justiça.

O actual líder do MRPP, Garcia Pereira, diz que o Ministério Público é um Estado dentro do Estado e que ninguém o contraria. Revê-se nisto?

É a opinião dele. O meu Ministério Público (MP) é humilde, servidor e combatente dos interesses colectivos, porque é a nossa obrigação e pelo que lutamos. Se há desvios da parte da alguém, são questões pontuais, porque o MP é um órgão que representa os interesses do Estado na perseguição e punição do crime. É a minha visão do Ministério Público, do que gosto, sirvo e quero continuar a fazer.

Estão longe os tempos do MRPP?

Éramos um grupo de pessoas muito radicalizadas, porventura, num contexto histórico completamente diferente do actual. Mas tinha jovens generosos que lutavam por uma sociedade melhor. Era o que nos unia e os objectivos principais.

Alguns desses maoístas também tiveram "desvios de direita". Durão Barroso, por exemplo, acaba no PSD e como presidente da Comissão Europeia. Ou Pacheco Pereira…

Pacheco Pereira nunca foi do MRPP.

Mas era maoísta!

Maoísta, mas de outro grupúsculo. Aliás, os maoístas são bem retratados num filme do Godard (La Chinoise), em termos caricaturais, através daquele maoísta fanático incapaz da analisar criticamente a realida-de e ser casmurro. Era uma geração, cultural, mas depois as pessoas seguiram cada um o seu caminho.

Partilha da opinião de Godard?

Era assim. Éramos criaturas um bocado ridículas, e ainda bem que nunca tivemos poder algum.

No caso de Pacheco Pereira, volta a cruzar-se com ele agora, depois de ter proposto a comissão contra a corrupção no Parlamento. Irá ter um papel efectivo nesse combate?

Sou magistrada e não tenho o hábito de me intrometer em questões políticas, nem quero fazê-lo directa ou indirectamente. A minha matriz no combate à corrupção é a convenção da ONU contra a corrupção. Neste momento, creio que anda toda a gente com o termómetro na mão a achar que o doente está com muita febre e é preciso baixá-la. Só que, na corrupção, temos de passar do discurso e da análise meramente eufemística para medidas efectivas de ataque.

E o papel do Ministério Público?

Essa é que é a grande questão, qual é o papel do MP e das polícias? Até agora, as medidas de política criminal de combate à corrupção têm 15 a 20 anos de atraso. Estamos habituados neste combate a comer o pão que o diabo amassou porque o combate à corrupção não é uma mera questão de quadro legal, embora também seja importante.

Esta comissão poderá acelerar o encontro de novas medidas?

É bom que haja no poder político gente preocupada com o combate à corrupção porque ele é multifacetado - a frente da justiça é a última e subsidiária das outras - e temos de passar das palavras aos actos nas decisões políticas. Não só em termos de quadro legal, mas na atribuição de instrumentos legais e recursos aos magistrados que possibilitem mais recursos tecnológicos no combate à corrupção.

Pode especificar o que é preciso?

Medidas de tecnologia e meios de actuação porque, enquanto o poder político e executivo não decidir investir, temos de trabalhar com esta realidade em vez de fomentar formas racionais de organizar investigação criminal face à criminalidade nova e altamente organizada.

A comissão vai concorrer com o MP?

Uma nada tem a ver com a outra!

Mesmo com tantas propostas?

Precisamos muito de medidas efectivas porque a corrupção, o meio em que se insere e os fenómenos associados causam um grande dano social. E, como se tem visto, origina sentimentos de impunidade muito grandes. Não podemos estar em Portugal como na América Latina, onde há, ao nível da política criminal de combate à corrupção, um sentimento de impunidade generalizado em relação aos poderosos e aos titulares de cargos políticos.

Essa situação de impunidade não acontece por acaso. Os políticos protagonizam muitos desses casos!

A corrupção insere-se nos sectores da administração pública central e local e nos sectores da titularidade dos cargos políticos - é essa a patologia -, apesar de também termos corrupção no sector privado.

Porque é que a justiça rápida não tem interessado ao poder político?

Tivemos uma última reforma penal que só cria entraves à celeridade, apesar de ter criado um quadro aparentemente rígido de prazos e de tramitações processuais que, na aparência, parecem conduzir num sentido de rapidez. Na prática, tornam quase inviável a investigação célere da criminalidade grave e complexa. Esse foi um dos maiores erros da reforma de 2007, apontado até por professores catedráticos com autoridade que eu não tenho.

Acha que é por causa disso que o Conselho Consultivo e o ministro da Justiça se vão reunir amanhã?

Não faço ideia e nada tenho a ver com essas reuniões. As minhas preocupações são outras após 30 anos de luta na magistratura.

Mas em relação ao Código de Processo Penal é muito crítica.

Avisámos desde o princípio que o código criaria, ao nível da criminalidade grave e complexa, dificuldades de aplicação da lei e no exercício da acção punitiva do Estado. Foi um código que desequilibrou a harmonia do anterior exageradamente, que desprotege o poder punitivo e deixa o Estado de direito completamente desarmado e à mercê do crime organizado, que hoje é transnacional, utiliza tecnologias de informação e formas empresariais de actuação e associa-se à corrupção para atingir os seus fins. Como não é estigmatizado, beneficia-se da respeitabilidade de certos sectores da sociedade, existindo até um fenó-meno de porosidade entre determinados sectores da sociedade e determinadas áreas do crime organizado ao nível do económico-financeiro. O código ignorou essa realidade.

Essa nova criminalidade tem a vida facilitada em Portugal?

Como em todos os países, mas com a agravante de termos ferramentas de actuação do poder punitivo muito morosas e pouco eficazes.

Portugal é demasiado brando?

Não sei o que quer dizer com a palavra "brando". Em termos de detecção da criminalidade, perseguição, recolha da prova e apresentação dos autores dos crimes a julgamento, temos as maiores dificuldades processuais por exigências da recolha de prova. Há exigências excessivamente ritualizadas para combater fenómenos criminais complexos e difíceis de detectar e de combater com eficácia no sentido da recolha da prova. É um código que facilita em termos de pequena e média criminalidade o julgamento rápido em processo sumário dos autores de crimes surpreendidos em flagrante delito. Mas nem sequer isso tem acontecido na comarca de Lisboa, por dificuldades de organização, jurisdição e previsão processual penal.

Daí, a crítica à demora na justiça?

Sim, e o cidadão tem toda a razão. Não é por acaso que todos os dias vamos para casa com esse peso, mas é preciso perceber que não há culpas intrínsecas da justiça. Po-deremos organizar mal os meios ou ter más metodologias, mas há uma partilha de responsabilidades - assinalada até pelo Observatório Permanente da Justiça - em relação ao poder político no que diz respeito ao quadro legal e aos recursos atribuídos à investigação criminal. A partilha de responsabilidades é um veneno que existe entre nós. Porquê? Porque desculpabiliza magistrados e políticos.

Gere-se mal os meios de investigação existentes?

Sim, e existe má organização da investigação criminal por culpa nossa e do próprio quadro legal. Aqui mesmo, na direcção do DIAP, tenho de me entender com dezenas de entidades para fazer a gestão dos recursos, que já são escassos. Não há racionalidade nessa gestão.

O cidadão vai ficar perplexo perante esta sua afirmação.

O cidadão não tem de ficar perplexo, as minhas afirmações são sinceras, e acho que as pessoas têm capacidade para compreender as nossas dificuldades quando somos sinceros. Não estou com representações, temos é dificuldades sérias, e qualquer pessoa que queira vir ao DIAP de Lisboa ver o que é um dia na investigação criminal de um magistrado português testemunhará que estamos estrangulados por um sistema informático que não trabalha em rede, nem sequer há uma rede nacional de dados de criminalidade participada. Não quer dizer que não tenhamos dificuldade em nos adaptar às novas realidades.

Nós, quem?

O sistema de justiça penal. Que está perante uma nova criminalidade, enquanto a forma de responder continua a tradicional, que conduz ao falhanço muitas vezes. Mas não é a única explicação, temos problemas com a recolha e aquisição de provas, porque na criminalidade grave e complexa não se a detecta sem usar meios específicos e modernos. Ou seja, há desfasamento entre a justiça e realidade que provoca um fosso e um sentimento de impunidade. Mas também há resultados, nem sempre valorizados.

Tais como?

No DIAP de Lisboa, por exemplo, tem havido frutos no combate à criminalidade violenta com o desmantelamento de gangues que actuavam por todo o País, no crime económico e no transnacional. Pode--se dizer que é uma gota de água, mas, como só podemos agir depois de o crime ter acontecido, agimos sempre em desvantagem.

Explique melhor a falta de meios?

A palavra meios está extraordinariamente desacreditada - tem sido abusada na sua utilização - e surge aos olhos da opinião pública como uma desculpa. Quando falo de meios, quero dizer recursos tecnológicos, electrónicos, informáticos, bases de dados e possibilidade de organizar de uma forma moderna.

Apesar de estar num prédio moderno [no Campus da Justiça], ainda está distante de ter os meios do CSI?

Isto é a moldura, porque o quadro e as cores são outros! Também não estou a pôr as séries televisivas como modelo, não podemos é trabalhar num caldeirão de papéis.

Há um claro divórcio entre os meios do DIAP, da Judiciária e outras instâncias. Não estão em rede...

O que não há é uma economia de escala ou uma organização concentrada no que respeita à investigação do crime económico. Uma definição de objectivos comuns, com equipas robustas que acompanhassem o caso até à fase de julgamento e algum princípio de oportunidade, porque é impossível tratar dos casos mais graves sem arquivar os menos. Há que estabelecer objectivos e ter coragem de decidir o que é que se investiga e o que não. Não é possível investigar tudo.

Quando houve o caso da Maddie, no Algarve, os primeiros elementos policiais contaminaram o local do crime. É preciso mais formação?

Temos bons polícias, o mal é transformarem em regra casos que correram mal e que são excepcionais. O caso Maddie é de rara dificuldade e excepcional. Temos boas polícias, preocupadas com a protecção, o contraponto é enfrentarmos uma criminalidade com muitos, melhores e mais meios do que nós.

Quando diz caso excepcional...

É mesmo excepcional!

... Refere-se até ao facto de os McCann terem proibido a venda do livro de Gonçalo Amaral?

Não faço comentários nenhuns.

Então, o que correu mal para a investigação da polícia portuguesa?

A investigação criminal é uma luta para a aquisição de prova e dos meios específicos de obtenção da prova. Umas vezes consegue-se, outras vezes, não.

Assistiu ao caso com curiosidade?

Curiosidade não é coisa boa para magistrados. Torna-os mesquinhos.

Sob o aspecto profissional, acompanhou-o com muita atenção?

Tenho de acompanhar os casos que me dizem respeito, o da Maddie nunca foi comigo.

Mas envolveu os portugueses todos.

Dramática e sentimentalmente, mas aí estamos no plano da paixão e do sentimento. Podemos falar de filmes, romances e dramas mas não estaremos a falar de justiça penal.

O surto de capitais angolanos que estão a ser investidos em Portugal já gerou alguma investigação?

Que eu saiba, não. Pela forma como coloca a questão, está a falar de negócios, não de crimes. Não posso dizer nada a esse respeito!

É um fluxo de vários milhões…

Mas eu não sou anti-capitalista, o capitalismo é bom! O nosso problema é a corrupção dar cabo do capitalismo. Existe até uma certa esquerda que nem valoriza o combate à corrupção porque pensa que é produto do capitalismo. Não é assim, o capitalismo é a produção de riqueza com a livre concorrência de mercado, num Estado de direito e em sistema pluripartidário.

Há justiça de direita e de esquerda?

Não há. A justiça e o combate à corrupção são pela honestidade e pelo tratamento igual do cidadão perante a lei. Isso pode parecer assim um bocado sonhador, mas é a luta que se trava todos os dias.

No caso das gravações das conversas entre Armando Vara e o primeiro-ministro, o juiz de Aveiro decidiu uma coisa, o procurador-geral da República tem uma opinião e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, outra. Também não há um pensamento uniforme nas mais altas instâncias da justiça?

Não me pronuncio sobre processos.

Mas este caso das escutas é semelhante a muitos outros que trata.

Cada processo tem uma condução.

Acha que as gravações deveriam ou não ser divulgadas?

Não dou opinião, não conheço o caso. Tenho o dever de reserva sobre casos concretos e sempre o respeitei, porque um magistrado não pode publicamente tomar posição sobre processos. É uma questão deontológica sagrada para mim.

Freitas do Amaral veio reclamar…

O professor não é magistrado! Tem liberdade de expressão que não se compara à minha, minúscula!

Ele achava que nunca nenhum deles fazia declarações esclarecedoras.

Sobre o caso concreto, não tenho nada a dizer. Em relação ao procurador-geral, há alguma injustiça, porque tem sido uma pessoa com uma política de transparência muito exigente em relação à comunicação social. No meu entender, a sua orientação para dentro do MP tem sido sempre no sentido de esclarecer tudo quanto é possível. Aliás, diz que o MP só se afirmará quando a sociedade perceber que a instituição tem utilidade para ela.

Que humildade e responsabilidade é importante e cada um responde pelos seus actos.

Mesmo quando algumas declarações do Presidente da República e do primeiro-ministro parecem pressões?

Nunca ninguém me pressionou, nem me sinto pressionada. A única pressão que tenho é trabalhar com ferramentas de século XIX.

As escutas são instrumento actual.

São meios específicos de obtenção de prova! E há uma escutomania na sociedade portuguesa que é muito pouco saudável, porque elas são um meio de obtenção de prova como outro qualquer e regulamentadas no Código de Processo Penal.

Que são generalizadas.

Mas qual generalizadas, as escutas são excepcionais e utilizadas nos crimes graves. A me-nos que… Esta é uma discussão esquizofrénica!

A desta entrevista?

Um pouco. Os senhores jornalistas fazem--se mensageiros de algum sentimento de impunidade por par-te da sociedade, de exigências de celeridade, de eficácia e de justiça. Temos de ouvir essas exigências e responder, mas não podem, ao mesmo tempo, querer que se combata criminalidade altamente sofisticada com fisgas! Temos de ter meios modernos de obtenção de prova, e isso resulta de um princípio que está consagrado na Constituição, o da proporcionalidade: para grandes males, grandes remédios! Se não estamos dispostos a pagar um preço, não teremos liberdade alguma! O terrorismo tem-nos ensinado isso, é global, não tem fronteiras nem é controlável facilmente.

Têm-lhe caído investigações sobre terrorismo na sua mesa?

Os processos não caem nem deixam de cair na minha mesa! Sou uma directora de um departamento e trabalho com uma equipa que é constituída por procuradores que chefiam as secções e procuradores adjuntos que os coadjuvam. Trabalhamos em equipa!

Refaço a pergunta. A questão do terrorismo tem vindo até ao DIAP?

O terrorismo é da competência do Departamento Central de Investi-gação e Acção Penal. É uma ameaça global, e quando se fala de corrupção, esta também se associa ao terrorismo. A corrupção existe sempre com fins instrumentais, porque o poder e a riqueza andam associados, em termos sociológicos, ao crime organizado. Como a corrupção é um vírus associado às manifestações de criminalidade mais graves, ela enfraquece os Estados e as instituições que têm de enfrentar fenómenos do terrorismo. Por-tanto, ninguém pode dizer que está fora dessa ameaça.

Nem o DIAP, portanto?

O DIAP é como qualquer outra estrutura da sociedade portuguesa.

Mas essas situações têm surgido?

Isso é matéria das polícias... O nos-so país não é considerado de alta incidência dos fenómenos do terrorismo, mas pode ser utilizado para actos de apoio de financiamento a células terroristas, de estágio ou do que quiserem. São fenómenos invisíveis e silenciosos, e por isso temos de ter instituições suficientemente robustas para lhes resistir.

Passa-se a mesma situação no combate ao crime económico, com bastantes casos nos últimos anos.

O DIAP de Lisboa tem acusações, tem condenações na área do crime económico e tem pronúncias.

Está a ganhar a guerra ao crime económico em Portugal?

Nunca se ganha uma guerra destas, porque é prolongada e inicia- -se todos os dias devido à sua dinâmica própria. Estamos melhor do que há dez anos na capacidade de detecção dos fenómenos, de organização das investigações e na capacidade de apresentar os casos em julgamento. Espero que daqui a dez anos estejamos ainda melhor. Evidentemente que admito o sentimento de impunidade que existe no que respeita ao crime económico, até porque estamos perante um fenómeno que também exige uma mudança de jurisprudência. Robusta e que seja capaz de interpretar e compreender a realidade através das provas pericial e documental e da conjugação e contextualização de toda essa prova. É um caminho que temos de percorrer.

Como aconteceu com a corrupção no futebol, que era intocável?

Não gosto muito de considerar as coisas como definitivas. É como na luta contra o cancro, os médicos nunca falam de cura, mas de regressão. São fenómenos virais que a todo momento se auto-reconstituem e se auto-reproduzem. O que tem de existir da parte das autoridades é uma pressão permanente para manter a criminalidade grave dentro do limite do suportável para a sociedade. E criar um risco para o infractor! O problema é que há risco para traficantes de droga, mas se for uma gestão danosa, corrupção ou participação económica em negócios, há sempre a esperança de impunidade, porque esse é ainda o ADN da nossa justiça.

O triângulo de corrupção futebol/ /política/construção civil mantém--se na vida nacional?

A vida fala por si e não é preciso dizer nada, basta olhar em volta. A crise e os fenómenos de criminalidade financeira têm revelado coisas bastante interessantes a esse respeito.

O crime urbanístico é um perigo?

É uma caixa-negra do crime económico e da corrupção porque está lá muito do que representa de incidência de tráfico de influências e de corrupção triangulada entre vários intervenientes: administração local; sector empresarial do Estado e titulares de altos cargos administrativos. Aí esbarramos com fenómenos de grande danosidade social e que são crimes sem responsabilidade, tipicidade e lei que acontecem todos os dias em Portugal.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Recorde - Portugueses colocam fortunas em paraísos fiscais


A riqueza em 'off-shores' aumentou 2,3 mil milhões de euros. Banco de Portugal quer saber quem é quem.

É um recorde em 13 anos (antes mão existiam estatísticas). Entre Janeiro e Outubro de 2009, os portugueses com contas em 37 off-shores, como as Caimão ou a ilha de Jersey, aumentaram as suas "aplicações" líquidas em 2,33 mil milhões de euros, tanto como 1,4% do PIB. Um aumento brutal de "poupanças" colocado longe de olhares indiscretos, 12 vezes mais do que em igual período de 2008, explicado pela vontade de rolar dinheiro - após o período negro da crise financeira - para investimentos em praças financeiras internacionais onde os regimes fiscais são mais generosos.

Em 2008, quando os mercados financeiros se desmoronaram, os donos do dinheiro - fundos e investidores particulares - deram ordens de regresso do dinheiro a solo pátrio. Era o medo e a incerteza. Agora, com o despertar dos mercados internacionais (Bolsas, aplicações em títulos e em empresas) as instruções à banca passam pelo retorno do dinheiro disponível para as off-shores.

Foram mais de 11,2 mil milhões de euros que saíram do País entre Janeiro e Outubro de 2009, transferidos para os paraísos fiscais, procurando rendimentos, sem dar muitas contas ao Fisco. É que em Portugal, os rendimentos (juros) dos depósitos são sujeitos a uma taxa liberatória de 20% em IRS. O montante transferido seria suficiente para pagar dois aeroportos como o projectado para Alcochete, ou, em alternativa, anular o défice orçamental. Em contrapartida, regressaram a Portugal - provenientes dos paraísos fiscais - 8,9 mil milhões.

Fuga ao fisco

Cálculos por alto, efectuados através de registos do Banco de Portugal, estima-se que os portugueses tenham pelo menos 15,7 mil milhões de euros, aplicados desde 1996, em paraísos fiscais.

Mas há mais dinheiro português a circular nos paraísos fiscais. Outras centenas de milhões de euros estão em off-shores através de recursos menos limpos.

Por exemplo, na Operação Furacão, que contabiliza actualmente mais de 200 arguidos, foi possível detectar transferências de dinheiros - efectuados por patrões e gestores - para paraísos fiscais através de países terceiros. Um dos métodos "tradicionais" passava pela sobrefacturação de mercadorias. Assim, os fornecedores eram "obrigados" a facturar a uma "empresa de fachada" em nome do patrão, fora do País (em Inglaterra, por exemplo) que, por sua vez, facturava mais caro à empresa sediada em Portugal. A diferença entre o que a empresa pagava e o que o fornecedor recebia revertia para as contas bancárias do patrão, em paraísos fiscais. Mais tarde, através de veículos financeiros - o dinheiro circulava em Bolsa - entrava de novo em Portugal, livre de impostos, mas, à custa de descapitalização da empresa e da fuga fiscal.

Banco de Portugal aperta malha

Para tentar obviar estes crimes, o Banco de Portugal vai implementar uma base de dados para identificar os titulares de contas off-shores que impliquem transferências superiores a 15 mil euros.

"Tal implementação", diz o banco central, "está ainda sujeita à notificação de tratamento de dados à Comissão Nacional de Protecção de Dados", de acordo com resposta a um requerimento de Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda. Vítor Constâncio, o governador do Banco de Portugal, quer saber a identidade completa "do ordenante da transferência", bem como a do "beneficiário da transferência". Depois dos casos BCP e BPN, trancas à porta...

Todas as transferências de capitais para o estrangeiros terão também agora de ser comunicadas ao Ministério das Finanças. O Fisco pretende cruzar estas informações com as declarações anuais de IRS dos contribuintes, tentando detectar sinais exteriores de riqueza ocultos.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A crise também é psicológica


Mesmo que o desemprego não lhes bata à porta, todos os estratos da população acabam por sentir os efeitos da crise e até há quem possa ganhar com ela, defendem especialistas contactados pela agência Lusa.
"As crises, e esta em particular, que é muito intensa, têm um efeito psicológico em todas as pessoas", afirma o politólogo Pedro Adão e Silva, segundo o qual há "uma espécie de receio por contaminação".
"Afecta todos. Com o actual desemprego é difícil não conhecer alguém nesta situação", diz.
Mesmo entre os mais desafogados, a crise acaba por influenciar padrões de consumo porque "as pessoas ficam mais receosas" e tendem a ser mais conservadoras, "por força da incerteza associada ao contexto".
"Não são só os mais afectados, todos os outros ficam mais expostos", prossegue, acrescentando que os indicadores do clima de confiança revelam, nestes contextos, "um pessimismo natural".
"O desemprego é um indicador que condensa outros indicadores e a forma como o conjunto da sociedade se posiciona sobre o futuro e o presente. Gera quebra de confiança e não só naqueles que são afectados directamente", explica.
Segundo o especialista em Ciência Política, nestas situações o que tende a acontecer entre as pessoas com rendimento disponível é poupar ou amortizar dívidas: "O que acontece menos é consumirem".
Assim, "à depressão e recessão económica junta-se a diminuição do consumo", o que agrava a situação, observa.
"É por isso que as crises e recessões profundas como esta têm de ser alavancadas, não pelo consumo privado, mas pelo investimento público. Tende a acontecer sempre isto", recorda.
Pedro Adão e Silva acentua que Portugal não sairá da crise enquanto não houver ganhos significativos da parte do emprego, não só pelo efeito económico directo, mas também pela forma como altera a percepção social. "E isso não acontecerá de certo em 2010", antevê.
Para o sociólogo Albertino Gonçalves, a crise é "uma atmosfera" que envolve toda a sociedade.
"As pessoas quando estão com os amigos e vêem televisão, partilham este discurso", refere, sublinhando que a crise "mexe com sentimentos de insegurança", pondo em causa "até onde podem ir os projectos, a confiança".
"Num ambiente de crise, a gente não deixa de pensar se acontece aos outros, também nos pode acontecer", exemplifica o especialista da Universidade do Minho.
Por outro lado, os discursos dos políticos "afinam pelo mesmo diapasão", o que "acaba por criar uma massagem. Ao princípio não dói, mas vai moendo".
"Parece que se orquestram todos para ir no mesmo sentido", assinala, frisando que os discursos da crise são "quase totalitários", ou seja, "reduzem-se a meia dúzia de verdades cheias e não se sai daí. São pouco elaborados".
Discursos esses que vão do Presidente da República aos líderes partidários, passando pelos media e comentadores: "É terrível essa litania porque é feita de consensos. Parece que a saída da crise é mais um brilhantismo dos executantes", refere.
De acordo com este especialista, a tendência global de comportamento entre os cidadãos com capacidade económica é continuarem a consumir e investir, mas "sempre que o fazem ouvem o grilo falante a dizer tem cuidado".
"As coisas fazem-se de pé atrás e toda a gente sabe que isso não é a mesma coisa. A atitude perante o risco muda muito", indica.
Origina-se assim a uma sociedade mais comedida, devido ao "aumento dos patamares de incerteza", enquanto, ao mesmo tempo, um conjunto de sectores ganha "um certo ânimo com a crise".
"Uma empresa que funcione bem pode ter um ganho com a crise, pode negociar melhor" e se houver investimento do Estado as empresas de construção civil também "ganham novo fôlego"...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Prémios dos banqueiros 'vigiados'


G20 vai criar estrutura internacional para impor controlo mais apertado.

Os líderes financeiros do G20 decidiram ontem, em Londres, criar uma estrutura internacional que imponha controlos mais apertados aos prémios pagos pelas instituições financeiras aos seus quadros superiores, de modo a desincentivar os banqueiros a realiza- rem negócios arriscados como as que levaram à crise de Agosto de 2007.

"Alguns bancos, que só sobreviveram graças ao dinheiro dos contribuintes, fazem de conta que a crise foi um pequeno revés e pretendem regressar ao modelo anterior de negócios. Este é não só um comportamento perigoso e cínico, como uma bofetada em todos aqueles que perderam o emprego por causa desta crise. Devemos assegurar-nos que os bancos nunca mais irão pôr em risco todo o sistema financeiro", diz u m artigo assinado pelos ministros das Finanças de sete países: Suécia, Holanda, Luxemburgo, França, Espanha, Alemanha e Itália(...)

domingo, 19 de abril de 2009

Bancos já cobram 'spreads' acima de 3%

Margens cobradas pelos bancos dispararam, com aumentos, em alguns casos, acima de 30%. Novos clientes não beneficiam de taxas de juro historicamente baixas.
Quem for pedir um novo empréstimo à compra de casa dificilmente perceberá que estamos a viver um período de taxas de juro historicamente baixas, sem precedentes.
Os bancos fizeram "disparar" o valor da margem financeira que somam à taxa de juro, o conhecido spread, com agravamentos quase mensais, em alguns casos de mais de 30% e para valores acima dos três pontos percentuais. Resultado: se o cliente não passar na avaliação de risco do banco e só conseguir contratar os spreads máximos ficará a suportar, em alguns bancos, juros acima de 5%. Isto numa altura em que a média da Euribor a seis meses (a taxa de juro mais usada) está nos 1,7%...
Num movimento generalizado entre os cinco maiores bancos, os spreads do crédito à habitação voltaram a ser revistos em Abril, depois de subidas quase mensais nos últimos tempos. E desta vez concretizou-se o que se previa, com algumas instituições a colocarem as margens máximas acima dos três pontos (ver quadro).
E não se pense que são só os spreads para os clientes de maior risco - aqueles que os bancos não querem, de todo, na sua carteira - que aumentam. Também as margens mínimas foram actualizadas, sendo hoje o valor mais baixo os 0,65 pontos percentuais praticados pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), seguida pelos 0,7 pontos do Santander Totta e os 0,8 pontos do Banco BPI. No caso do Banco Espírito Santo (BES), o seu spread mínimo duplicou, passando de 0,55 pontos para 1,1 pontos.
Mas se para muitos portugueses que procuram um novo crédito à habitação estes spreads mínimos são difíceis de alcançar, os bancos argumentam que também as margens máximas são aplicadas a uma ínfima percentagem de clientes. No entanto, estão lá, como forma de convidar o potencial cliente a desistir do empréstimo...
O valor mais alto é aplicado pelo MILLENNIUM BCP, com um spread de 3,6 pontos. Segue-se-lhe o BES, com um máximo de 3,3 e a pública CGD, com 3,15 pontos.

VIC
19 Abr 2009, às 18:25 - Belgium
Os bancos são uma espécie de moléstia incurável, com moral atrofiada e desconjuntada pela ganancia do lucro. Querem recuperar a toda a força o que perderam e por isso escravizam ou tentam escravizar os que deles precisam. Não são fiaveis, nunca foram e agora muito menos. O governo e os politicos são os seus aliados do nosso desconforto, só os cifrões contam. É um País entregue à bicharada, (cont)

Frankar
19 Abr 2009, às 16:48 - Portugal - Lisboa
As medidas tomadas pelos bancos, já foram explicadas num programa televisivo. Segundo a explicação dada, os empréstimos efectuados pela banca internacional para o financiamento dos bancos são ainda considerados de elevado risco e portanto o dinheiro fica mais caro. Se assim for, é lógico os valores dos "spreads" praticados. Quer dizer, quando o lençol é curto, tapa num lado e destapa no outro.

Anonymous
19 Abr 2009, às 16:34 - Portugal - Porto
Francamente, a compra de habitação está em extinção. Sobra o mercado de arrendamento que, quando se aperceber, irá fazer subir as novas rendas para preços incomportáveis também. Iremos voltar aos bairros de barracas? É o futuro dos cada vez mais pobres, pois os ricos estão cada vez mais ricos, por estas e por outras.

tolo
19 Abr 2009, às 16:17 - Portugal
comento como empresario do ramo imobiliario e como um particular.O governo assume se como mero espectador e nao se impoe como fez o primeiro ministro Zapatero ao fazer um ultimato á banca espanhola.Enquanto empresa subiram me por 3 vezes o juros das contas correntes em 2009.Com o dinheiro a 6%,corte nas avaliaçoes e spreads aos clientes de 3,5%como é possivel sairmos da recessao?Mais desemprego...

marco.simoes
19 Abr 2009, às 15:13 - Portugal - Lisboa
Esqueceram-se de alguns bancos a operar em Portugal. A Caixa Galicia por exemplo está a praticar spreads de 0.30% para associados da DECO e 0.35% a 0.45% para os restantes clientes. O Deutsche-Bank também pratica spreads na ordem dos 0.45%. Temos que procurar bem e pelo que parece a crise afectou mais os gigantes, ou então são estes que se estam a aproveitar mais desta.

Guilherme Pereira
19 Abr 2009, às 10:58 - Portugal - Lisboa
A Banca não dá ponto sem nó. Antes, arranjou à escala planetária um gigantesco molho de bróculos. Mas está visto que a crise lhes vai passar ao lado. Será o primeiro grande teste para os G20 que proclamaram em abastracto medidas internacionais contra a desregulação dos mercados financeiros.

qob
19 Abr 2009, às 10:46 - Portugal - Lisboa
Pelo que se ouve e lê aqui e acolá, dá para perceber que há uma previsão da queda dos preços em Portugal, do imobiliário novo à volta dos 20 a 25% e do imobiliário usado entre os 20 e os 40%. Os bancos estão a proteger-se dessas eventuais quedas, pura e simplesmente

qob
19 Abr 2009, às 10:44 - Portugal - Lisboa
Os Bancos já só emprestam no máximo dos máximos 80% do valor de avaliação, valor de avaliação que por sua vez já é inferior ao valor pedido pelos vendedores em alguns por cento SINAL DE QUE O MERCADO IMOBILIÁRIO ESTÁ COM PREÇOS ESPECULATIVOS QUE VÃO CAIR

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Europa treme com risco de falência na Alemanha... Governos temem que o pânico tome conta dos aforradores...


Crise financeira. Governos negoceiam soluções de recurso para a banca...

Durante todo o dia de ontem as autoridades alemãs trabalharam numa solução financeira capaz de evitar a falência do Hypo Real Estate (HRE), o quarto maior banco do país. Desde o início, sabia-se que teria de haver um qualquer plano de resgate antes da abertura dos mercados na segunda-feira, que evitasse uma corrida dos aforradores aos depósitos e um efeito de contágio a todo o sistema bancário. E este chegou por volta das 22 horas portuguesas: o governo e os principais bancos alemães abriram uma linha de crédito de 50 mil milhões de euros (a maioria suportada pelo Estado) para salvar aquela instituição.

Ontem, quando estava em Paris, a chanceler germânica foi surpreendida com a notícia de que o acordo estabelecido entre o Governo Federal alemão, o Bundesbank (banco central), o BCE e um consórcio de bancos comerciais se tinha desmoronado quando estes declararam não estar em condições de angariar os 8,5 mil milhões de euros acordados.

Recorde-se que o HRE começou a registar grandes perdas devido às actividades altamente especulativas em projectos imobiliários públicos da sua filial irlandesa, Depfa Bank Plc unit. O aperto no mercado do crédito impediu-a de aceder aos fundos necessários a curto prazo, precipitando a crise da casa-mãe. Hoje, de acordo com o jornal Die Welt, o HRE precisa de 20 mil milhões de euros a curto prazo, 50 mil milhões até ao fim do ano e, provavelmente, 100 mil milhões até ao fim de 2009.

As comparações da actual crise financeira com a Grande Depressão de 1929 arrepia os alemães. O ministro do Interior Wolfgang Schäuble foi ontem claro ao lembrar como a ruína financeira da República de Weimar guindou Adolf Hitler ao poder em 1933.

Também o governo belga passou o dia de ontem em reuniões sucessivas procurando solidificar a situação dos bancos Fortis e Dexia, também eles ameaçados. O segundo estará mais vulnerável a uma eventual falência do HRE segundo o jornal Le Soir. A televisão flamenga VRT, dizia ontem que a origem dos problemas deste banco estavam nos compromissos contraídos junto do HRE alemão, estimados entre 200 e 350 mil milhões de euros. A administração do banco desmentiu estes valores.

Entretanto, na Holanda, o ramo nacional do Fortis foi nacionalizado pelo governo pelo preço de 16,8 mil milhões de euros. O primeiro-ministro belga, por seu turno, informou estar a negociar uma solução com grupos privados, no sentido de apresentar um sinal claro de solução para o Fortis antes da abertura dos mercados na segunda feira.
AO LONGO DA FAMIGERADA "CAMPANHA ACCIONISTA BCP" EM 2000/2001, QUE O BANCO LEVOU A CABO COM AS ACÇÕES PRÓPRIAS, FOI PROVADO HAVER INDÍCIOS DE VÁRIOS CRIMES... NO EXERCÍCIO DE 2000, O MONTANTE TOTAL DE PRÉMIOS A DISTRIBUIR PELOS FUNCIONÁRIOS FOI DE 22.603.817,40€, EM QUE OS ACCIONISTAS NÃO TIVERAM DIREITO A DIVIDENDOS!!!
AS ENTIDADES SUPERVISORAS E ÓRGÃOS DE MEIOS DE COMUNICAÇÃO DIVULGARAM AO PÚBLICO, MAS O BCP, MESMO COM A ACTUAL ADMINISTRAÇÃO, CUJO PRESIDENTE É O DR. CARLOS SANTOS FERREIRA, CONTINUA A EXTORQUIR, "ROUBAR" E A SAQUEAR DINHEIROS DAS CONTAS DAS VÍTIMAS (CLIENTES) SILENCIADAS E INDEFESAS, DANDO SEGUIMENTO PARA O BANCO DE PORTUGAL COMO SENDO DÍVIDA DE INCUMPRIMENTO, SUJANDO O "BOM NOME" DO CLIENTE... ENQUANTO OS PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS BANCÁRIOS CONTINUAM INTOCÁVEIS, SEM SER CHAMADOS À JUSTIÇA.

É A VERDADE DO QUE SE PASSOU E AINDA SE ESTÁ PASSAR NO MAIOR BANCO PRIVADO PORTUGUÊS! "MILHARES DE PESSOAS DESTRUÍDAS, EXTORQUIDAS E "ROUBADAS" DOS SEUS BENS PELO BCP (CAMPANHA ACCIONISTA MILLENNIUM BCP E OUTRAS SITUAÇÕES GRAVES)..."
- "TAMBÉM ALGUMAS NOTÍCIAS FINANCEIRAS ACTUALIZADAS"
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DURING THE INFAMOUS "CAMPAIGN SHAREHOLDERS BCP" In 2000/2001, the Bank has undertaken WITH OWN ACTIONS, HAS PROVEN Indications of HAVER SEVERAL CRIMES ... In 2000, THE TOTAL AMOUNT OF PREMIUMS FOR EMPLOYEES WAS A DISTRIBUTE OF € 22,603,817.40, in which shareholders were not entitled to dividends!!!
AND BODIES supervisors of media available to the public, but the BCP, EVEN WITH THE CURRENT ADMINISTRATION, WHICH IS THE PRESIDENT DR. CARLOS SANTOS FERREIRA, continues to extort, "theft" Drawing MONEY AND VICTIMS OF THE ACCOUNTS (CLIENTS) Silent and Helpless, following FOR BANK OF PORTUGAL AS BEING DEBT OF FAILURE (CRC) of the client. While the primary banking responsibility untouchables CONTINUE WITHOUT BEING CALLED TO JUSTICE.

IS THE TRUTH of what happened and if IS MOVING IN A MORE PRIVATE BANK PORTUGUESE! "Thousands of people destroyed and EXTORQUIADAS THEIR PROPERTY BY BCP (BCP MILLENNIUM CAMPAIGN SHAREHOLDERS AND OTHER serious )..."
- "UPDATES FINANCIAL ALSO NEWS OF THE WORLD"